Cidades

Conselho censura psicóloga que oferece 'cura' para homossexuais

Conselho censura psicóloga que oferece 'cura' para homossexuais

01/08/2009 13:00

     

        Da redação

        O Conselho Federal de Psicologia (CFP) decidiu ontem  censurar publicamente a psicóloga Rozângela Alves Justino por oferecer terapia como "cura" para homossexualidade. Evangélica, Rozângela já havia sido punida com uma censura pelo Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ), de onde é seu registro. Ainda assim, depois do resultado do julgamento de ontem, ela confirmou que pretende continuar seu trabalho.
        A censura pública é o terceiro grau de punição possível a um profissional. Mais graves são a suspensão por 30 dias ou mais e a cassação do registro profissional. Apesar de ter violado uma resolução da entidade na qual se afirma que a homossexualidade "não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão", o presidente do Conselho, Humberto Verona, explicou que a entidade não poderia ter agravado a pena imposta pelo CRP-RJ por ter sido a própria Rozângela que recorreu ao CFP.
        No entanto, a situação pode mudar se a psicóloga mantiver o trabalho que faz atualmente. Se for denunciada novamente e aberto um processo, Rozângela pode até mesmo perder o registro. O CFP esclareceu que psicólogos não podem sugerir modificação da orientação da pessoa nem oferecer tratamento. Mesmo se procurados por clientes em sofrimento psíquico decorrente de sua opção sexual, os psicólogos não podem prometer cura.
        No entanto, em entrevista à Agência Brasil depois do resultado do julgamento, Rozângela afirmou que vai continuar a oferecer "cura" normalmente. "Com certeza vou continuar. Vejo que as pessoas têm direito de procurar esse apoio. É a pessoa que define o quer dentro da psicoterapia. Não sinto vergonha e nunca sentirei de acolher pessoas que querem deixar voluntariamente o estado de homossexualidade", disse.
        "Estão me submetendo a uma mordaça. Mas quero dizer às pessoas que estão em estado de sofrimento psíquico e desejam deixar a homossexualidade que procurem profissionais nas suas cidades". De óculos escuro e máscara, a psicóloga ainda disse ter medo de sofrer represálias de ativistas gays, mas que vai recorrer à Justiça Federal contra a decisão do CFP por ter sido exposta à humilhação. ( informações da Agência Estado)