Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

COLUNA PERFIL

Jogo limpo

Erika Januza mergulha no mundo do tênis ao viver a atleta Marina de "Amor de Mãe"
13/01/2020 17:00 - GERALDO BESSA/TV Press


 

Érika Januza aprende muito com suas personagens. Recentemente, perdeu o medo de mar ao fazer aula de natação para “Sol Nascente” e ainda ficou íntima das leis e práticas do Direito ao viver uma juíza em “O Outro Lado do Paraíso”. Agora, em “Amor de Mãe”, ela teve de enveredar pelo competitivo universo do tênis para viver a atleta Marina. Muito além do esforço físico e das regras do jogo, o intenso processo de preparação, que levou quase um ano, fez Januza se apaixonar pelo esporte. “Foi uma descoberta na minha vida! Comecei vendo algumas partidas para entender a dinâmica e, desde as primeiras conversas com a direção da novela, a figura da Serena Williams já surgiu como fonte de inspiração. Chegou a um ponto em que se tinha jogo da Serena na tevê, as pessoas já sabiam que eu estaria ocupada assistindo”, explica. O realismo das cenas de Marina em quadra impressiona e é fruto da dedicação da atriz e dos treinadores Vandeir Gama e Evaldo Ambrósio. “Eles foram tão pacientes comigo. Comecei do zero, não sabia nem o modo correto de segurar a raquete”, diverte-se, entre risos.

Além de suar nas quadras, Januza também teve de se preparar para a forte carga dramática que envolvem as cenas de “Amor de Mãe”. De origem humilde, a personagem encara a carreira de tenista com grandes dificuldades financeiras. Quando surge a possibilidade de um patrocínio, ela fica dividida entre a chance de se destacar profissionalmente e deixar para trás o amor de Ryan, papel de Thiago Martins. “A Marina está sempre entre o sonho e a realidade. Ela recusa o contrato para ficar ao lado do homem que ama e acaba tendo de lidar com as consequências dessa escolha”, conta. Inevitavelmente, essa história acabou transportando Januza ao passado. Quando ainda dançava e modelava, ela desistiu de alguns contratos por conta de um grande amor. A atriz garante, entretanto, que aprendeu a lição e desde então tem o trabalho como prioridade. “Não tinha qualquer vivência profissional e escolhi com o coração e não com o cérebro (risos). Entendo a Marina agir assim e acho que as pessoas têm de passar por esse tipo de situação para entenderem que o amor liberta e não prende. Se alguém quer prender você, tem alguma coisa errada na relação”, acredita.

Érika Januza (Foto: Jorge Rodrigues Jorge/CZN)

Apesar de amar suas madeixas crespas e longas, há tempos que a atriz queria mudar radicalmente de visual. Ao entender que Marina teria de ter um “look” mais prático para dar conta do trabalho e dos treinos, sugeriu à equipe de caracterização e ao diretor José Luiz Villamarim que a personagem poderia adotar um corte curto, no melhor estilo “joãozinho”. Porém, na hora de cortar, Januza “tremeu na base”. “Comecei a chorar. A gente se apega muito nas questões da vaidade. Quando o cabeleireiro terminou, olhei no espelho e aí veio o sorriso. Pensei: “Por que não fiz isso antes?”. Amei demais”, assume. Embora os cachos estejam curtíssimos, os cuidados com os cabelos continuam rígidos. A única diferença é o tempo dispensável para todo o ritual. “A rotina é parecida, mas é tudo tão mais prático. Hidrato e uso uma série de produtos para fortalecer os fios. É impressionante como cresce rápido. Estou tendo de refazer o corte frequentemente”, conta.

Natural de Contagem, Minas Gerais, aos 34 anos, é possível ver que experiência e segurança são dois fatores que diferenciam bem a Érika tímida e introspectiva de “Subúrbia”, sua estreia na tevê, e a mulher de hoje, com jeito de que sabe exatamente o que quer. “Cresci muito em oito anos. Abri minha cabeça e fui atrás dos meus sonhos. Não importa se o papel é protagonista ou coadjuvante, o importante, para mim, é ganhar repertório”, detalha. Seguindo essa linha, a atriz passou por produções de canais pagos como “Copa Hotel”, do GNT, e “Os Suburbanos”, do Multishow. E também participou de novelas como “Em Família” e “Totalmente Demais”. Em 2020, além de estar em “Amor de Mãe”, Januza também terá um papel importante em “Arcanjo Renegado”, série da Globoplay dirigida pelo cineasta Heitor Dhalia. Na trama, ela vive a batalhadora Sarah, irmã do protagonista, Mikhael, sargento do Bope interpretado por Marcello Melo Jr. “Sarah é diferente de tudo o que já fiz e retrata a triste realidade de muitas mulheres que perdem os maridos no exercício da profissão de policial. É um papel muito intenso”, adianta.

Questão de visibilidade
Érika Januza sabe que a televisão ainda tem muito o que caminhar para que atores negros tenham mais espaço e personagens de destaque na teledramaturgia, mas enxerga o atual momento com otimismo. “Quando era criança, me sentia muito pouco representada na televisão. Hoje, crianças e jovens me param nas ruas e falam da felicidade que é ver mais negros no vídeo”, comemora.

Januza fica extremamente feliz em ver nomes Taís Araújo, Jéssica Ellen, Dan Ferreira, Douglas Silva e Ana Flavia Cavalcanti, entre outros, brilhando em “Amor de Mãe”. Além deles, figuras como Lázaro Ramos, os irmãos Camila e Rocco Pitanga, J. P. Rufino, Juliana Alves e até ela mesma servem como exemplos de visibilidade negra e espelho para que outros jovens invistam na atuação. “Os tempos estão mudando e a gente está só começando”, avisa.

Instantâneas
# Quando ainda trabalhava como assistente administrativa, Érika Januza participava de pequenos concursos de beleza em diversas cidades mineiras.

# Érica deixou para trás cerca de outras 2 mil jovens ao vencer o teste para protagonizar “Subúrbia”.

# Mesmo sem saber nadar, em 2015, Januza foi uma das participantes do quadro “Saltimbum”, do “Caldeirão do Huck”.

# “Arcanjo Renegado” ainda não estreou, mas já tem uma segunda temporada garantida. A atriz gravará sua participação nos novos episódios assim que terminar “Amor de Mãe”.

Felpuda


Sem conseguir controlar a verborragia, figurinha estreante no mundo político-partidário, e que se acha “o último biscoito do pacote”, acabou batendo de frente com titãs da política. Primeiro perdeu os anéis e, agora, os dedos correm sérios riscos. Anda “ameaçando” deixar o lugar onde se encontra, só que por lá vem ouvindo frases como “se é por falta de adeus...”, “os incomodados que se mudem” e “não fará nenhuma falta”.

Como se vê...