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SÉRIE

Segunda temporada de “Big Little Lies” reforça a complexidade de suas protagonistas

Segunda temporada de “Big Little Lies” reforça a complexidade de suas protagonistas
24/06/2019 14:43 - GERALDO BESSA/TV Press


 

Por muitos anos, a televisão e o cinema americano se desenvolveram por caminhos bem distintos. Com muito mais prestígio, realizadores e intérpretes da “telona” pareciam estrelas intocáveis, importantes demais para as limitações das produções televisivas. O aumento dos orçamentos das séries de canais pagos como HBO, Bravo e Showtime, além do alto investimento de serviços de “streaming” como Netflix, Amazon e Hulu acabaram por mudar as regras do jogo. Enquanto o cinema vive um momento de pouca inspiração, é na tevê que os grandes nomes de Hollywood buscam histórias e personagens que possam agregar reconhecimento e mais alguns prêmios aos seus currículos. Ganhadora do Oscar por “Johnny & June”, de 2006, Reese Witherspoon estava tão cansada de convites para filmes fracos e machistas que decidiu criar uma produtora para bancar seus próprios anseios artísticos. Na busca por histórias de viés feministas e com boas personagens para intérpretes que já passaram dos 40, Reese ficou encantada por “Big Little Lies”, romance de sucesso da dramaturga australiana Liane Moriarty, na qual vive a destemida Madeline.

Parceria da produtora Pacific Standard, da qual Reese é uma das principais sócias, e da renomada HBO, a adaptação do texto em uma minissérie de sete episódios deu mais certo do que qualquer previsão. Ainda no papel, a forte história sobre violência doméstica, conflito de classes e hipocrisia social em uma pequena e rica cidade litorânea acabou por conquistar nomes fortes como as premiadas Nicole Kidman e Laura Dern para o elenco. De olho em um público mais jovem, também garantiu o frescor de Shailene Woodley e Zoë Kravitz para as protagonistas mais novas. Com roteiro feito sob medida para o talento das cinco intérpretes e em sintonia com as atuais pautas feministas, “Big Little Lies” foi o grande sucesso da temporada de premiações 2017/2018, abocanhando as principais categorias do Emmy, Globo de Ouro, Screen Actors Guild e Critics' Choice Television Awards, com um total de 46 láureas.

Desenvolver uma segunda temporada era inevitável. Agora sob a direção sensível e pontual de Andrea Arnold, a recém-lançada segunda temporada da série, definitivamente, não está para brincadeira. Com roteiro focado nos desdobramentos e traumas a partir do final da primeira leva de episódios, “Big Little Lies” extrapola o caos de suas protagonistas com maestria. E, como bônus, ainda presenteia o público com a participação de Meryl Streep na pele de Mary Louse, mãe em busca de justiça e disposta a trazer à tona todos os segredos da cidade. Sem grandes mudanças estéticas, a série bisa a bela paleta de tons pastéis, azul e verde que domina fotografia e há uma ligeira alteração no esquema de câmeras, agora mais próximas das personagens, assumindo o papel de observador - ou júri - do que está em cena. Sem firulas, os novos sete episódios valorizam mesmo o bom roteiro cheio de ironia e tensão assinado por Liane e pelo “showrunner” David E. Kelley e, especialmente, a atuação precisa de suas atuais seis protagonistas. Sem esconder dores e delícias, as histórias entrelaçadas de Madeline, Celeste, Jane, Bonnie, Renata e Mary Louise formam um belo mosaico feminino e, sem brigas de ego aparentes, mostram que o sol e os holofotes podem sim brilhar para todas.

“Big Little Lies” - HBO - domingos, às 22h/Transmissão simultânea no “app” HBO GO.

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!