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OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "A herança de Deus e dos homens"

Promotor de Justiça aposentado
29/02/2020 02:00 - Da Redação


Desde a criação do mundo o homem ofereceu as suas surpresas diante dos fatos que protagonizou. O criador ofereceu-lhe como herança preciosa a terra inteira pronta, completa e acabada, acompanhada das suas riquezas e também  das delícias colocadas à sua disposição. Ofereceu ainda uma vida inteira repleta de felicidade.  Mas não foi tudo. Deixou muito mais. Ofereceu, talvez, a maior de todas as heranças. O lugar precioso na grande morada eterna.  

O ser humano não compreendeu o seu  alcance e a importância dos propósitos divino.  A gula aliado ao   desejo condenável de tornar igual ou superior ao Criador criou o abismo, incentivou a indiferença, provocou a discórdia,  plantou o ódio e ainda disseminou o rastro da desconfiança. Essa ação humana, insensata e cruel, não se qualifica nem se define com palavras. Suas ações aliadas aos seus atos concretos chancelam esse entendimento escorreito, claro, preciso e objetivo.  

Mesmo com esse comportamento errante do homem ao longo dos milênios  Deus  na sua onipotência divina  nunca o  abandonou. Está sempre pronto para renovar seus propósitos de paz, concórdia, amor e o perdão. E de distribuir fartamente a herança prometida.  As alianças firmadas com os seus principais profetas como Noé, Abraão e Moises, são os seus exemplos maiores.  Mas não foram suficientes. Enviou então o seu próprio  filho Jesus Cristo, o filho do Deus vivo,  para a formatação de  uma nova e ampla aliança com todos os povos. Seu fim foi triste.  

A dureza do coração humano  silenciou um gesto elegante. A disputa sempre ensandecida pela terra é apenas uma gota d’água no oceano das heranças deixadas pelo  Criador. Sangue de inocentes jorra todos os dias nos mais diferentes quadrantes do mundo  sobre essa bendita terra destinada a produzir riquezas e serviços.  

Para fomentar a paz entre os povos.  A “ terra prometida “ é o seu exemplo maior. Continua sendo palco de lutas sangrentas entre árabes e judeus. Sem prazo para terminar. Uma desgraça desqualificada.  As religiões formaram um quadro explosivo. Todas disputavam a primazia pela sustentação da palavra.  As igrejas  resultaram nos seus tentáculos. Transformaram-se em verdadeiros balcões de comércio. Os falsos  profetas abundaram o mundo com as suas promessas ensandecidas consubstanciadas na salvação eterna. Induziu em erro miseráveis de todos os padrões sociais.   O dinheiro sempre no centro desse comércio escandaloso. O quadro continua o mesmo. Entre nós, em épocas recuadas o Imperador era o chefe da Igreja. Nenhuma bula papal   entrava em vigência no território do Império do Brasil sem o “ cumpra-se “ de S. Majestade.  

Os chefes políticos locais indicavam as vestes que os sacerdotes deveriam usar para o oficio da santa missa dominical, o vinho e a sua quantidade a ser ingerida. A permanência do pároco na vila dependia sempre do bom humor dos detentores do poder.  Um absurdo.  O que estamos discorrendo é a herança de Deus. A deixada pelos homens segue desgraçadamente na mesma direção.  

As disputas entre os herdeiros ao longo da história da humanidade  sempre foram sombrias, provocativas, avassaladoras. Essa angústia perene a constatamos fortemente no momento da repartição do quinhão hereditário. Nesse tema as ações humanas são sempre idênticas. Estão entranhadas no seio familiar dos ricos e dos pobres. São raríssimas as  exceções. O ensinamento divino esculpido no texto bíblico  não proíbe o ser humano de construir o seu patrimônio. Sua construção é um imperativo da  existência  humana. Cada  qual avança escorado no seu labor, capacidade, inteligência e esforço próprio. Esse patrimônio edificado com a grandeza humana não poderia nunca ser objeto de disputas que não guardassem integral relação com os princípios da civilidade.  

A civilidade nesse tema precisa ser  interpretada no seu sentido mais amplo. Seu alicerce singular tem o respaldo dos elevados propósitos e do respeito mútuo entre os que são  chamados a suceder. Sobretudo à obediência ao regramento legal.  

A Justiça brasileira entendeu perfeitamente esse reclamo, essa preocupação. Cercou-se então de condições legais para evitar o desastre  familiar.  Colocou à disposição dos seus jurisdicionados as varas especializadas para processar e julgar os casos pertinentes à sucessão hereditária. E entregar para cada um o que lhe pertence.  Tudo isso para evitar os desdobramentos imprevisíveis e que podem deixar marcas indeléveis. Nos seus limites próprios  as partes  oferecem seus propósitos, manifestam suas súplicas, definem seus interesses e clamam pela conciliação. Sempre com o respaldo precioso do princípio da urbanidade. 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.