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OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: Promotor de Justiça aposentado

"Não conhecemos os horrores da guerra convencional"
10/04/2020 01:00 - Da Redação


A Covid-19, mostrou à toda evidencia interessantes lições para o  conjunto da humanidade  que ainda  marcha descrente, errada e distante de Deus. O nosso País está inserido nesse contexto. Não estamos vaticinando nada  de inusitado. O materialismo exagerado desfigurou o ser humano. Fez da vida o seu escudo para atingir seus propósitos efêmeros, improdutivos e  insensíveis.  Dinheiro, dinheiro e dinheiro resulta sempre no grande timoneiro condutor do seu barco sempre à deriva.  

A visão divina da vida ficou relegado para o último plano de reflexão. Esse é o aspecto que estamos vivenciando. Mas ela aponta para outras realidades igualmente importantes para serem refletidas. O Brasil não conheceu em nenhum momento da sua história política e institucional os horrores produzidos por uma guerra convencional. A nossa Independência Política veio através de um “grito“. O Império foi substituído pela República através de um convite feito pelo marechal Deodoro da Fonseca ao Imperador deposto D. Pedro II para embarcar no navio Alagoas, o mais moderno navio de passageiros que a nossa marinha mercante possuía para o seu exílio na cidade de Paris. As duas conflagrações mundiais  ocorreram fora dos nossos limites territoriais. Em 1.930, Vargas tomou o poder central sem disparar nenhuma arma de fogo. A ditadura militar de 64 seguiu o mesmo caminho. Outros mandatários deixaram a presidência da República em diferentes situações sempre em clima de paz sustentada pelo nosso ordenamento jurídico.  

Em nenhum desses episódios protagonizamos a loucura do derramamento de  sangue. Esses fatos políticos esculpidos em nossa História não podem passar despercebidos.  São fatos importantes.  Exige reflexão profunda dos nossos atos, das nossas aspirações, das nossas conquistas e das bênçãos que todos os dias recebemos em  abundancia. Se apenas um vírus empurrou a população para uma corrida brusca aos supermercados para as compras dos gêneros  alimentícios de primeira necessidade  mostrou também de outro vértice essa nossa real idiossincrasia. Agora  precisamos projetar esse cenário devastador no contexto de uma guerra convencional. Essa sim, preocupante. Os bombardeios  aéreos intensos, o avanço da infantaria e da artilharia inimiga cuspindo disparos incessantes de metralhadoras, fuzis e outros projéteis mortíferos contra uma população indefesa  mostra o horror da sangria que o povo brasileiro nunca assistiu.  O quadro é dramático.  Não existe tempo para chorar nossos mortos, nossos entes  queridos  e de lhes oferecer um sepultamento  digno.  A aniquilação da nossa capacidade energética, a falta de abastecimento de água potável, a interrupção da comunicação, o esgoto a céu aberto, corpos despedaçados e  esparramados  pelas ruas,  estradas e pontes  destruídas, povo faminto e os saques preocupantes  mostram o outro lado trágico da guerra convencional. Mas não é só.  

A nossa história, a nossa cultura, o nosso futuro jogado para o abismo não podem ser olvidados. As nossas crianças sem nenhum futuro é algo triste de se constatar.  Mas o dilema continua preocupante.  Nossos hospitais públicos e privados  em um único dia de bombardeio entrariam em colapso  por absoluta falta de recursos materiais.  Os europeus todos de Lisboa a Moscou conhecem esses horrores. Os asiáticos, também. São povos milenares. Disciplinados para atender suas autoridades de saúde. Os horrores da guerra convencional são indefiníveis. Somente os seus protagonistas tem as credenciais para exararem suas opiniões. O comerciante Samir Salem, ainda jovem   assistiu o bombardeio intenso desencadeado  pela aviação israelense  na sua pequena  Al Bire, no Líbano.  Foi assustador, relata. Esse, é apenas um aspecto pequeno do rastro amargo produzido pela  guerra convencional  que nunca assistimos. Temos a obrigação de prestar atenção para esse precioso detalhe. Temos o hábito de reclamar de tudo  o que nos incomoda em nossa rotina. Coisas pequenas e  insignificantes  diante das ações graves que só a  guerra é capaz de produzir.    

Uma evidencia clara  a nos apontar que todos os dias temos motivos fortes e robustos para agradecer a Deus pela paz que nos proporciona, pela beleza de abraçar nossos entes queridos, de desfrutar com gosto diferenciado as nossas amizades, principalmente de sermos úteis aos nossos semelhantes. Isso não é pouca coisa. Resulta em uma grandiosidade  generosa. Retrato primoroso da gratidão.  

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!