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CORREIO DO ESTADO

Confira nosso editorial desta quarta-feira: "Mas, cadê a planilha?"

Confira nosso editorial desta quarta-feira: "Mas, cadê a planilha?"
05/02/2020 03:00 -


Levantamento feito em mais da metade das capitais que desde a última segunda-feira passaram a adotar a placa Mercosul aponta que Campo Grande tem a mais cara de todas

A polêmica dos últimos dias em torno dos preços abusivos cobrados para a confecção da nova placa de veículos, no padrão Mercosul, ainda não está de todo encerrada. Mesmo porque após o “esparramo” feito pelo governador Reinaldo Azambuja, no fim de semana, mandando a Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon/MS) investigar possível existência de cartel (combinação de valores), empresas estampadoras credenciadas para a produção da identificação metálica sinalizaram com alguma redução de preços, mas a planilha que está sendo utilizada para a formação dos preços ainda não apareceu.

A diferença entre valores fixados para proprietários de veículos de Mato Grosso do Sul é simplesmente astronômica, se comparados com os de outros estados. Mesmo que se queira falar em livre concorrência, há muita diferença, por exemplo, entre valores praticados em São Paulo, onde o Detran recomendou, no máximo, R$ 138,24 para carro, ônibus e caminhão e R$ 114,86 para motocicletas. Diferentemente daqui, lá o Detran diz ter feito pesquisa de preço para a implantação e só depois estipulou os novos valores – que coincidiram com os já praticados para as placas cinzas.

O vizinho Mato Grosso, que apesar de ter requerido um prazo maior para utilização do padrão, já sinalizou que o valor da placa no novo modelo não deverá sofrer reajustes em relação ao atual. Assim, questiona-se porque os custos de uma placa no MS são tão elevados, a ponto de haver tanta diferença com os preços paulistas ou de outros estados? É preciso que os donos de veículos saibam o que estão pagando - e porque estão pagando determinado valor. Não é simplesmente torná-los reféns de um suposto livre mercado, como alguns querem chamar. Daí a necessidade de apresentação da planilha de custos.

Nesta terça-feira, donos de empresas estampadoras passaram a admitir uma pequena redução dos valores cobrados, algo na faixa de 10%, mas forma provisória. Demonstraram que há “gordura” para queimar na direção de uma redução mais significativa. Duas delas chegaram a alegar que diminuiriam seus lucros e procurariam economizar nos investimentos de forma a ter condições de proceder a redução. Uma terceira disse que reduziria, com o compromisso de permanência nesse nível, se no decorrer do tempo ficar demonstrado que, mesmo com “lucros reduzidos”, seja viável a manutenção. 

Mas, isso ainda está longe de significar “boa vontade” como alegado, mas sim obrigação de se trabalhar com transparência, colocando os seus valores em níveis aceitáveis e não em patamares tão exacerbados.
 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.