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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "O resgate da ciência"

Os progressos da ciência eram considerados naturais por muitos. A pandemia restabelece o valor que a sociedade deve dar à pesquisa
06/04/2020 03:00 - Da Redação


A pandemia do coronavírus é, certamente, o maior desafio desta geração. Os adultos com até 50 anos de idade talvez nunca tivessem pensado que um dia o que ocorre hoje no planeta fosse possível. Arriscamos afirmar que até alguns de gerações anteriores a essa, no caso, todos os nascidos após a 2ª Guerra Mundial, estão vendo de perto novidades impensadas anteriormente.  

Voltando aos adultos de hoje em dia, os que nasceram de 1970 para cá, estes viveram um período único de otimismo na história do planeta. Uma época de evolução ultrarrápida da ciência e da tecnologia. Por mais que houvesse desafios na realidade de todas estas pessoas, o futuro sempre foi um porto seguro. Todos os anos e meses surgiam invenções que facilitavam o dia a dia; de tempos em tempos, os direitos individuais passaram a ser cada vez mais respeitados.

Com poucas exceções, boa parte das produções de ficção das décadas de 1970, 1980 e 1990 apontavam para um futuro de evolução tecnológica, biológica, e de maior cooperação entre as pessoas. A ciência sempre foi a protagonista. Merecidamente, cabe ressaltar. Não fosse a ciência, não teríamos acesso à produção de alimentos em larga escala, práticas de saúde pública que nos previnem de pestes e pragas, transmissões via satélite que nos permitem vibrar em torneios como uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada (adiada neste ano, mais uma demonstração do grande desafio geracional) ou mesmo se comunicar à distância com telefones celulares, cuja função mais rudimentar é a conversa de voz pela rede telefônica.

Talvez a geração que mais apostou na ciência tenha esquecido de algo sempre muito lembrado por pesquisadores: os efeitos colaterais – normalmente muito bem escondidos – da tão propagada eficácia. Como sociedade, talvez estes efeitos tenham tornado a ciência algo automático. A pesquisa para muitos tornou-se algo muito natural, de modo a não se vislumbrar um passado sem as facilidades de cotidiano permitidas por ela e pelo trabalho duro dos pesquisadores.

Mas a ciência não é algo natural. Ela é algo muito humano, porque só humanos produzem ciência. Quando a ciência deixou de ser algo especial, ela deixou de ser notada por muitos – e a Terra voltou a ser plana para alguns; e as vacinas passaram a ser desnecessárias para outros tantos.

A pandemia do coronavírus põe a sociedade global em uma posição de maior respeito à ciência. Respeito que vinha sendo perdido. Nesta edição, trazemos reportagem que mostra como os cientistas (mais uma vez) poderão trazer alívio à humanidade. Em Mato Grosso do Sul, há pesquisadores buscando tratamento para a Covid-19, sabia? Depositamos toda nossa confiança neles para trazer a cura não somente da doença causada pelo vírus, mas para reestabelecer a relação ética entre cientistas e sociedade.

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.