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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Corrupção com marca de distintivo"

Os atos de corrupção são condenáveis em qualquer de suas formas. Mais grave, porém, é quando esses crimes contam com a ajuda direta e indireta de policiais
06/03/2020 03:00 - Da Redação


Operação da Polícia Federal colocou novamente à mostra, aquilo que já se transformou num câncer em vários segmentos da segurança pública, de norte a sul do País: a corrupção policial. É lamentavel ver que, aqueles que deveriam ser incansáveis defensores da lei, usam a condição privilegiada do cargo para se ligarem a criminosos maiores em troca de um amontoado de reais - ou dólares.

Ontem, por exemplo, a Federal executou  simultaneamente, na região de Naviraí, as operações Managers e Cem por Cento, para reprimir a ação de contrabandistas de cigarros na região Sul do Estado e desarticular uma rede de agentes públicos - leia-se policiais - que dava suporte às atividades delituosas. Três policiais rodoviários federais foram presos. Eles são acusados de receber propina para permitir a passagem de caminhões carregados com cigarros contrabandeados do Paraguai.

O pior é que não é de hoje que envolvimentos dessa natureza vêm ocorrendo, maculando nomes de instituições como a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e, em tempos mais recentes, até mesmo a Guarda Municipal de Campo Grande. Esta aliás (que busca o estatus de polícia), apesar de seu pouco tempo de existência, já carrega algumas contaminações. Vários guardas encontram-se presos, suspeitos de envolvimento com a organização criminosa supostamente liderada por Jamil Name. Um deles, inclusive, é apontado como pistoleiro profissional e se encontra foragido, após condenado pela execução do delegado aposentado Paulo Magalhães e também suspeito da morte do estudante Matheus Xavie. Mais recente, um outro usou a arma para assassinar duas pessoas e deixar um outra ferida.

O ano de 2018 foi emblemático, quando 21 policiais militares, sendo três oficiais e o restante, sargentos ou soldados, foram presos na Operação Oiketikus. No mesmo ano, a PF realizou a Operação Nepsis, contra o contrabando. Entre os mandados de prisão cumpridos estavam policiais civis, militares e rodoviários federais.  

Os números de policiais ligados a bandidos estão aí aos borbotões e isso está a exigir a atuação rigorosa dos organismos internos de inteligência, a fim de que criminosos  encondidos atrás do nome e da autoridade de suas instituições sejam rapidamente banidos, antes que toda a estrutura seja apodrecida. Afinal, a corrupção é inaceitável, e mais ainda quando ela carrega a marca de um distintivo policial.

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.