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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Fiscalizar e cobrar também é cidadania"

Conscientização e responsabilidade são as maiores armas para barrar os reflexos devastadores da pandemia
03/04/2020 03:00 - Da Redação


A mobilização internacional contra a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) terá o seu êxito na proporção do envolvimento e conscientização de toda a população, desde o interior da residência de cada um até aos longínquos confins da terra atingidos pela doença. Em dias em que uns pregam rigor no isolamento social, com toques de recolher e outras medidas restrititivas, e outros brigam por afrouxamento dessas regras em favor da economia, uma coisa nunca soou tão certa: a proteção da própria vida e a dos familiares depende de cada um e também de todos. Aliás, num outro cenário, mas de igual consequência, os casos e até morte por dengues  não seriam tantos se todos mantivessem os quintais e os terrenos baldios limpos. 

Não adianta, por exemplo, impor proibição de funcionamento desta ou daquela atividade, se em bairros e vilas, as aglomerações continuam acontecendo em bares e lanchonetes e outras atividades não essenciais onde se sabe que uma fiscalização da Polícia ou da Guarda Municipal dificilmente vai chegar. É ineficaz estabelecer  toque de recolher às 20 horas, ou 22 horas, se pessoas que deveriam ficar dentro da residência insistem em formar grupinhos nos portões da casa para compartilhamento de bombas de tereré e mangueiras de narguile.  

Não adianta achar que a pandemia é uma “gripezinha”, se os boletins epidemiológicos crescem diariamente, indicando mortes mundo a fora, principalmente em países em que a doença está no pico, matando perto de mil pessoas diariamente. Os efeitos de medidas restritivas só poderão atingir o fim a que se destinam se cada pessoa tiver consciência e responsabilidade com a própria vida e com a saúde do outro.

A pandemia que aí está precisa trazer de volta valores esquecidos de cidadania. Uma cidadania que se traduz na prática de direitos e deveres de cada indivíduo no ambiente social em que se encontra inserido. Direitos e deveres que devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica, necessariamente, numa obrigação de outro.  

Se queremos realmente que esse ataque à saúde pública termine logo e com prejuízos menores do que os temidos, não pode haver constrangimento em fiscalizar, cobrar sem exageros, o comportamento cidadão do outro, seja no ambiente de trabalho, transporte coletivo,  comércio, na vizinhança e mesmo dentro de casa. É preciso cobrar dos governantes e do particular as medidas de proteção. Afinal, a saúde é pública e a calamidade vivida nesses dias também.  

Repelir a aglomeração desnecessária, nem que para isso se tenha que denunciar aos órgãos de fiscalização, mesmo os próprios entes que têm o dever de fiscalizar. Assim, parafrasenado a conhecida máxima retirada do clássico da literatura mundial, somos responsáveis por todos aqueles que são importantes para nós.

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!