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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "Dengue e Covid-19: as duas matam"

O novo coronavírus está aí, contaminando e até matando mundo afora. Mas a dengue também está matando, e bem aqui, em Mato Grosso do Sul
14/03/2020 03:00 - Da Redação


A partir do momento em que houve a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, as atenções voltaram-se para o alastramento da doença. Os números já ultrapassam 100 infectados, além de aproximadamente 1.500 suspeitos contabilizados e outros 1.350 episódios descartados. Felizmente, ainda não há mortes. A grande preocupação, ao lado da propagação do coronavírus, é que significativa parcela da população continua se esquecendo de um outro inimigo, com letalidade ainda maior: o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Conforme o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), até quarta-feira foram notificados 8.697 casos e quatro mortes por dengue em Campo Grande. No mesmo período, havia a somatória de 58 casos de zika e 33 de chikungunya. Segundo o boletim epidemiológico, 18 pessoas já morreram no Estado por conta da dengue entre 29.793 notificações da doença. Apesar de Mato Grosso do Sul ainda não ter nenhum caso confirmado de coronavírus, vivemos uma epidemia de dengue.

O serviço de saúde chama a atenção para o fato de 80% dos focos do mosquito Aedes aegypti ainda serem encontrados dentro das residências, em objetos passíveis de descarte na coleta de lixo comum. O foco pode estar bem pertinho, naquele vaso de planta que fica no fundo do jardim, na calha entupida ou em materiais inservíveis jogados no quintal. Portanto, é preciso que isso sirva de alerta para a população e que todos tenham consciência da gravidade da situação.  

Entrar em pânico pela disseminação da Covid-19 e ignorar a dengue é um contrassenso muito grande. O poder público faz a parte que lhe cabe, mas é extremamente necessário o envolvimento de todos na batalha.  

Para evitar a proliferação da nova virose, é preciso cuidados simples; medidas básicas de higiene como lavar as mãos com água e sabão, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando espirrar ou tossir e jogá-lo no lixo, evitar tocar olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam limpas – aliás, como já dito tantas vezes, lavar as mãos com água e sabão com muita frequência é um caminho para se prevenir o contágio não somente do Covid-19, mas de várias doenças. E para deter a dengue, o caminho é a limpeza dos quintais de casa, terrenos baldios e eliminação de pontos de água parada. Ou seja, a não proliferação de ambas as doenças depende basicamente de prevenção. Não são apenas as ações de governos, mas também da conscientização e responsabilidade de cada um.

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.