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OPINIÃO

Luiz Fernando Mirault Pinto: “Fakeboom da economia"

Físico e Administrador
04/03/2020 01:00 - Da Redação


A economia produz teorias relacionadas ao comportamento social, não sendo uma ciência exata, mas se utilizando de parâmetros como se fosse, aplica hipóteses e métodos estatísticos de um mundo real na tentativa de prever ou estimar resultados na formulação de politicas de bem-estar social na produção, distribuição de renda, e qualidade de vida de cada individuo, pois ele e não grupos ou sociedades representa a medida.

São tempos estranhos, pois fakes continuam a assustar as mídias sociais pondo em xeque a realidade e a credibilidade das verdadeiras notícias pela falta de filtros e investigações sobre a veracidade das informações repetidas jornalisticamente, permitindo que agenciadores ou detentores de informações privilegiadas sejam favorecidos e gerem falsas expectativas capazes de afetarem o cenário econômico em seus próprios benefícios.

O “fakeboom” se refere a uma bombástica expectativa da retomada econômica irreal ou mascarada por dados imaginários com apoio do ”mercado” e difusão da mídia corporativa, divulgando probabilidades e estimativas sem fundamentos ou promessas como a reforma trabalhista que resultaria na empregabilidade ou da previdência relativa à recuperação econômica em troca das perdas socioeconômicas dos brasileiros, ambas por meio de propagandas e pró-labores aos formadores de opinião, pagos regiamente para darem seus duvidosos avais ao sucesso das empreitadas.  

E assim no afã de dar noticias alvissareira surgiram as fakes natalinas nos principais veículos de comunicação impulsionando a partir de dados pontuais como se fossem o universo, o aumento das vendas no varejo de shoppings, e o crescimento anual de vendas na intenção de turbinar a economia, fato esse imediatamente contestado por associações de lojistas.  

Uma economia virtual informa que a construção civil deslanchou assim como o arrefecimento do mercado imobiliário fatos esses quando analisados pelo consumo de cimento (indicador importante na avaliação de desempenho destes setores) juntamente com os índices de contratação de mão-de-obra, e comparados com dados de anos anteriores mostram-se resultados pouco confiáveis.  

O País com quase 12 milhões de desocupados (involuntários) e 26 milhões de subutilizados com carga horária inferior à disponibilidade e necessidade (sobreviventes), reserva a outros tantos empregos, um trabalho intermitente, com cara de emprego formal, mas reflete uma taxa de desemprego de 11,4% para o ano;

A desaceleração na economia nacional ou sua estagnação, beirando a recessão é preocupante não por causa da força de trabalho desestimulada, mas pela falta de credibilidade produzida pela desinformação, o desmanche das estruturas administrativas, as reformas açodadas para cumprir promessas políticas devastadoras, não planejadas e subavaliadas, pelos gastos incentivados para adquirir apoios indiscriminadamente, os disparates das declarações: “pobres destroem o meio ambiente quando tem fome” e não as mineradoras ou garimpos ilegais; “índios tem reservas em excesso” que devem ser abertas a madeireiros e latifundiários: “funcionários públicos são parasitas” e, portanto as fiscalizações devem ser paralisadas...

Setores da economia foram afetados, a desindustrialização com a contrapartida na desoneração fiscal aplicada no setor financeiro, as ações persecutórias contra empresas a titulo do combate a corrupção desmantelando a expertise técnica internacional e profissional da indústria da construção civil e prospecção de petróleo, associado a polarização politica de “neófitos” eleitos, a evasão recorde de divisas (U$ 45 bilhões) proporcionada pela fuga de investidores e abertura das portas para o esquecido FMI, é um pequeno extrato do nosso problema cuja credibilidade e esperança se quer recuperar à custa dos “fakes boom da economia”.

Com as previsões em baixa sobre o crescimento da economia (indústria, comercio e serviços) cujos dados foram agora assimilados (IBGE) se ajustam os valores reconhecidos pelo BC, que a atividade econômica em 2019 terminou com valores abaixo do esperado sendo necessárias as reduções nas projeções de crescimento, o que significa que os incentivadores das perspectivas positivas e falsas terão de abandonar essa pratica da mentira.

Pelo visto o dito popular “time que está ganhando não se mexe” não faz parte do ideário político atual que mexe com as falsas previsões. 

Felpuda


Embora embalada por vários “ex”, pré-candidatura a prefeito de esforçada figura não deslancha. É claro que ninguém ousa falar em voz alta que o apoio, em vez de alavancar os índices com o eleitorado, está é puxando para baixo. Uns dizem que o título do filme “Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado” retrata bem a situação. Outros complementam: “... na primavera, no outono, no inverno...”. Como diria vovó: “Aqui você planta, aqui você colhe!”.