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OPINIÃO

Mansour Karmouche: "Dia Internacional das Mulheres: Vamos caminhar juntos"

Advogado, presidente da OAB/MS
07/03/2020 01:00 - Da Redação


A maior transformação cultural que vem ocorrendo nos últimos dois séculos na história da humanidade está diretamente vinculada aos novos papéis das mulheres em nossa sociedade. É inegável que a chamada emancipação feminina tem carregado em seu bojo mudanças profundas nas áreas econômicas, políticas, familiares e institucionais. As mulheres vieram para ficar, e isso é uma boa notícia. Chamo isso de “empoderamento delicado”, porque elas ocupam o poder com ternura, de maneira inteligente e sutil.

No campo dos direitos, é possível afirmar que atualmente avaliamos o desenvolvimento de um país com olho especialmente voltado para o arcabouço legal não só protetivo como garantidor, que permitem a plenitude do exercício da cidadania às mulheres.

Para as novas gerações, algumas dessas conquistas são triviais, mas é preciso destacar que esse processo vem evoluindo há cerca de 2 mil anos e, mesmo assim, todos os dias presenciamos espasmos primitivos de atraso como feminicídio, manutenção em cárcere privado e tráfico de mulheres, além de manifestação de preconceitos bizarros contra mulheres, tanto no mercado de trabalho como no ambiente doméstico.

Por isso, contrariando aquela visão de que a lutas das mulheres insere-se no ambiente do “politicamente correto”, acredito que a comemoração do Dia Internacional da Mulher (e todos os eventos correlatos à data) reforça o sentido de que luta tem produzido efeitos,  à medida que a cada ano percebemos avanço expressivo no processo de alteração de alguns conceitos que demonstram que a mulher ganha cada vez mais espaço e respeito.

Sim, é inegável que aparecem aqui e ali nichos de resistência calcados no “machismo estrutural”, mas esses estão perdendo a batalha gradualmente, mesmo porque está claro que ambientes profissionais saudáveis e criativos são aqueles em que atuam homens e mulheres.

Por isso a palavra “sororidade” tem sido cada vez mais utilizada em campanhas e debates sobre o papel do feminino em nossa sociedade. É importante que isso ocorra: depois de décadas de discussões, as próprias mulheres se colocam como parte do problema, percebendo a importância de se aplicar uma nova ética na relação feminina, buscando construir alianças baseadas na empatia e no companheirismo, visando alcançar objetivos comuns.

Por injunção histórica, sabemos que o mundo é psicologicamente masculino. Pensadores da política de gêneros têm insistido na tese de que a mentalidade machista é um problema que responsabiliza homens e mulheres.

Filmes publicitários como “Meninos não Choram”, dirigido por Hubert Davis, do Canadá, desafiam ideias tradicionais de masculinidade para impedir a violência contra as mulheres, mostrando o desenvolvimento como se opera o desenvolvimento humano desde o nascimento até a sua formação completa na fase adulta.

Trata-se de um trabalho com forte pedagogia, que mostra a complexidade da questão superando o estereótipo de que o machismo é problema per si, deslocado do contexto social, de responsabilidade exclusiva dos homens e da masculinidade tóxica.

Para mudar paradigmas, homens e mulheres devem dar as mãos e seguir juntos para transformar a realidade. É fundamental que no Dia Internacional da Mulher juntemos forças para repudiar toda forma de violência e assédio contra as mulheres, colocando-nos a favor das leis protetivas e cobrando efetividade na punição daqueles que ainda não compreenderam que estamos no século 21, e não na idade média.

Felpuda


Lideranças de alguns partidos estão fazendo esforço da-que-les para fechar chapa com o número exigido por lei de 30% do total de vagas para as mulheres. Uma dessas legendas, por exemplo, tenta mostrar a “felicidade” das suas pré-candidatas, mas teme o fracasso, tendo em vista que o “chefe maior” é aquele que já mandou mulheres calarem a boca e disse também que a importância da sua então esposa na campanha eleitoral era porque apenas “dormia com ele”. Ô louco!