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OPINIÃO

Maria Angela Coelho: “Vamos falar de Deus, sim”

Professora doutora em Comunicação e Semiótica
23/03/2020 01:00 - Da Redação


É forte, mas vamos lá. Sou religiosa, ou seja, aquela que crê na existência de um Ser Superior Onipotente, Onisciente e Onipresente: Força, Ordem, Presença, Equilíbrio, Sabedoria, Justiça, Amor, Misericórdia. Sou também uma pesquisadora de sentidos semióticos em vigência no ecossistema cultural que compartilhamos; o que me habilita – me impulsiona – a tecer essas considerações, à luz de uma e de outra “verdade”.

Acertados em quem vos fala, penso que, talvez, esses atributos principais sobre o conceito que temos a respeito de Deus e da vida espiritual nos unam muito mais do que nos afastem, mesmo perfilados a esse ou aquele grupo (ou dogma) religioso.

 Por óbvio, desde agora, que fique claro: não creio no Deus barbudo, corroído pela vingança, melindre e cobrança, tão impregnado de defeitos quanto nós. Muito menos no Deus do escambo; chiliquento e caricaturado e enaltecidas nas obras hollywoodianas sobre o Velho Testamento; aquele sujeito que manda pestes, ventos, tempestades; matar e sacrificar sua própria criação, ao sabor de sua ira. Vade retro! Esse cara não nos serve, agora! Não nos serve porque, não nos conhecendo, como trogloditas espirituais que ainda somos, nos cobra e nos ameaça com o peso-pesado do inferno, ou do mercado. Não, para minhas concepções religiosas (de religare) e acadêmicas, esse ser não tem um iPED de cobranças de gerenciamento de pecados nem de conta bancária de dízimos de bilhões de mortais. Esse não é!

Acertados até aqui, esse Deus de agora e em quem necessitamos acreditar não nos quer o jugo do mal; não nos enviou a praga mundial do coronavírus, para dizimar sua criação. Esse Ser Supremo Onipresente, Onisciente, Onipotente alheio ao seu poder, simplesmente, outsider, não pode estar assistindo ao nosso ranger de dentes lá do seu troninho, com seu indefectível caderninho de anotações. Ele É e Preside a Ordem, e, Ordem Ele terá. Seus desígnios e sua ordem prevalecerão. Independentemente de nossas velas, nossos dízimos, nossos cultos, nossa pífia intervenção, essa ordem independe de nós e a tudo, rege e preside. A Onipotência tudo pode. A Onisciência tudo sabe, a Onipresença a tudo e a todos acolhe. Não somos poeiras irreconhecíveis de nosso Criador; temos lastro, pera lá! Temos histórias que transcendem a esse lugar, esse agora, fadados a extinguir-se logo ali. Somos seres estelares, com propósitos, com projetos e planos divinos inscritos em nós. Somos Deuses (todos), já nos prescrevera o Mestre dos Mestres.

Nessa hora que tudo, tudo... tudo muda, precisamos, mais do que nunca, nos perguntarmos se o deus que nos venderam é o Deus que merecemos e de que precisamos. Muitos partirão na ignorância disso, o que já é uma lástima. Quem sabe seja a hora de despertar, cutucar nossas crenças, as verdades paranoicas, que nos limitam e nos colocam como coadjuvantes de nossas próprias vidas.

O Deus Maior, Supremo e que está Presente, que Tudo Sabe, Tudo Pode está dentro de cada um de nós. É hora de olhar pra dentro. Ele (em nós) sabe tudo. Ele (em nós) pode tudo, ele (em nós) está em tudo. Por tanto – sem permitir que o pânico e a descrença nos dominem – creiamos: Ele está aqui; agora, neste momento fatídico de profundas mudanças culturais em todo o planeta. Precisamos, sim, falar de Deus e nos perguntarmos, a que Deus nos mantemos subjugados nessa hora. O Deus de agora É. O Deus de agora Está. O Deus de agora Sabe. Saber é muito mais do que crer. Caminhemos. Não estamos à deriva. Maktub! O que tiver de ser será. Alguns de nós já se voluntariaram para essa partida pandêmica. Perscrutemos o mais profundo de nossas consciências, o quanto antes. Façamos, portanto, a nossa parte! Sobrevivamos com a Onipresença, a Onisciência e a Onipotência de Deus.

Felpuda


Os bastidores fervem com a ciumeira que vem acontecendo em alguns municípios, onde determinados candidatos estariam sendo mais prestigiados que outros depois das alianças que foram formalizadas nas convenções. As queixas só aumentam, e as lideranças partidárias já não sabem o que fazer, temendo a possibilidade de que a vitória vá para o ralo. A bronca maior está entre integrantes das chapas puras de vereadores que se coligaram na majoritária. E salve-se quem puder!