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ARTIGO

Mateus Boldrine Abrita: "Desenvolvimento através da ciência e tecnologia no Centro-Oeste"

Doutor em economia pela UFRGS e professor efetivo na UEMS
19/12/2019 02:00 -


O Brasil vem passando por transformações estruturais no âmbito de sua produção de bens e serviços e com a Região Centro-Oeste (CO) não é diferente. Na década de setenta do século passado, o CO do Brasil se consolidou como região agroexportadora e consumidora de produtos industrializados, entretanto, este cenário vem mudando. Passado esse processo de consolidação produtiva mais relacionado ao setor primário, outro caminho importante para o crescimento econômico deve ser a busca por mercados com complexidade tecnológica mais elevada e com maior valor agregado. Isso porque pode ser gerado um círculo virtuoso de emprego e renda na região. Para que isso ocorra, certamente são fundamentais que a ciência, a tecnologia e inovação estejam pujantes. Mas, afinal, como está a situação da ciência e tecnologia na região Centro-Oeste? Analisando alguns dados divulgados por importantes instituições (como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa de Inovação – PINTEC; indicadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, entre outros), podem ser observados alguns elementos importantes.

Em linhas gerais, houve um grande aumento no número de pesquisadores, instituições, artigos científicos publicados e número de doutores, ou seja, a esfera acadêmica está indo bem. Contudo, quando se analisa o lado da pesquisa vinculado ao setor produtivo, ou seja, pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas empresas, inovação nos negócios, nos produtos e nos processos, o cenário ainda deixa a desejar, a despeito de diversas iniciativas importantes.

Para se ter uma ideia, segundo dados do IBGE (PINTEC 2014, mais recente indicador disponibilizado) observando as empresas da indústria extrativa e de transformação, enquanto, no Brasil, 18% dessas empresas implementaram inovações em produto, na Região CO a média foi de 10%, ou seja, quase a metade. Ademais, dessas 723 empresas que inovaram no CO, apenas 26% foram na faixa “produtos novosou substancialmente aprimorados”. No Brasil, a média foi de quase 35%.

Com base nos dados é possível afirmar que a ciência e a tecnologia na Região CO obtiveram avanços, contudo, ainda não operam como um sistema de inovação completo no sentido de criação e fortalecimento institucional para a cooperação, aprendizado e interações, a fim de promover um ambiente favorável à geração e difusão de novas tecnologias em conjunto e, sobretudo, integradas ao setor produtivo.

Portanto, é fundamental e urgente que se intensifiquem as ações para elevar a cooperação entre setor produtivo, empresas, universidades e institutos de pesquisa; para buscar um maior ineditismo nos produtos inovadores; e para elevar a quantidade de pós-graduados nos setores de pesquisa e desenvolvimento das empresas. Além disso – no que diz respeito ao apoio governamental –, não focar apenas no financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos inovadores que vem prontos do exterior, mas investir em projetos, de pesquisa, de desenvolvimento e de inovação tecnológica, nacionais e autônomos, em parceria com universidades e institutos de pesquisa que sejam patenteados por residentes da Região.