Brasil

MISTÉRIO

Arquidiocese pede que presidente da Câmara de SP envie denúncias que diz ter sobre padre Júlio

Vereador Rubinho Nunes (União), que diz ter "denúncias de extrema gravidade" tem articulado para fevereiro a instalação de uma CPI na qual o padre seria o principal alvo

FOLHAPRESS

16/01/2024 - 12h29

Arcebispo de São Paulo, o cardeal dom Odilo Scherer encaminhou ofício ao presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), solicitando o envio das "denúncias de extrema gravidade" que o vereador disse ter recebido a respeito do padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua.

Como revelou o Painel, o vereador Rubinho Nunes (União) tem articulado para fevereiro a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na qual o padre seria o principal alvo.

Em entrevista à coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Leite ter recebido as acusações e que as encaminhará ao Ministério Público de São Paulo, à CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) e ao Vaticano. Ele não revelou o teor do material até o momento.

Em nota, a Arquidiocese de São Paulo afirma que, após tomar conhecimento da entrevista, "enviou um ofício ao referido vereador, solicitando que a suposta denúncia fosse transmitida".

"A Arquidiocese desconhece o teor das supostas acusações mencionadas pelo vereador e lamenta não ter sido informada devidamente a seu respeito", completa.

No começo do mês, a Arquidiocese disse acompanhar "com perplexidade" a possível abertura da CPI.

Formalmente, a investigação tem como objeto o trabalho das ONGs que atuam no centro de São Paulo. Nas redes sociais e em entrevistas, no entanto, o vereador Rubinho Nunes deixou claro que o principal alvo é o padre, de quem é um crítico.

Tanto é assim que a escolha das duas entidades que deverão estar no escopo da CPI, Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, conhecida como Bompar, e o coletivo Craco Resiste, seriam as mais próximas da atuação do padre, na leitura do vereador.

A primeira é uma entidade filantrópica ligada à igreja católica da qual o padre Júlio foi conselheiro, mas hoje não é mais. A segunda atua contra a violência policial na região da cracolândia.

O padre afirmou à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que não faz parte de nenhuma ONG e não tem qualquer envolvimento com projetos que envolvam dinheiro público, e que, por isso, não vê sentido em ser investigado.
 

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