Brasil

VIGILÂNCIA

País recebe primeiras 750 mil doses de vacina contra dengue, em meio a explosão da doença

Ministério da Saúde diz que adquiriu todas as 5,2 milhões de doses do chamado Qdenga disponíveis pelo fabricante para este ano, entregues por etapas até o mês de novembro

FOLHAPRESS

21/01/2024 - 12h21

Ministério da Saúde informou que chegaram ao Brasil neste sábado (20) as primeiras 750 mil doses da vacina contra a dengue, que serão oferecidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A pasta lembra que, por causa do número limitado de unidades recebidas, foram estabelecidos critérios para a vacinação, levando em conta regiões com alta transmissão e a faixa etária com maior número de hospitalizações, entre 10 e 14 anos.

A chegada do primeiro lote acontece em meio a uma escalada no número de casos da doença no início deste ano.

O primeiro lote faz parte de um total de 1,32 milhão de doses da vacina que foram fornecidas, sem custos ao governo brasileiro, pela farmacêutica Takeda.

O Ministério da Saúde acrescenta que adquiriu todas as 5,2 milhões de doses do imunizante, chamado Qdenga, disponíveis pelo fabricante para este ano, que serão entregues por etapas até o mês de novembro.

De acordo com os critérios de vacinação estabelecidos pela pasta em conjunto com estados e municípios, as vacinas serão destinadas a regiões de saúde com municípios de grande porte –população igual ou superior a 100 mil habitantes– e com alta transmissão da doença nos últimos dez anos.

Além disso, serão vacinadas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que são as idades com maior número de hospitalizações por dengue. O ministério explica que essa faixa etária também está dentro do recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Como a Folha de S. Paulo mostrou, oito estados e o Distrito Federal iniciaram 2024 com expressivos aumentos nos casos de dengue, de 100% ou mais em comparação ao mesmo período do ano passado.

Os números são mais alarmantes no Sul do país, onde foram contabilizados 10.961 diagnósticos nas duas primeiras semanas deste ano, somando os registros no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O salto é de 958% em relação ao mesmo período de 2023, quando haviam sido infectadas 1.036 pessoas na região.

O Brasil já havia fechado o ano de 2023 com um recorde de mortes por dengue, com 1.094 vidas perdidas. Os dados foram extraídos do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).

O recorde anterior ocorreu em 2022, com 1.053 óbitos. O terceiro ano com mais mortes foi 2015, com 986 vítimas.

Nesta semana, durante viagem para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a ministra Nísia Trindade, afirmou que ainda é necessário aumentar a produção da vacina contra a dengue para expandir as faixas etárias que receberão o imunizante. Atualmente o ministério tem 5 milhões de doses, o permitiria a imunização 2,5 milhões de pessoas –ou 1,1% da população.

O número não cobre todas as pessoas na faixa etária priorizada, de 6 a 16 anos, que somam 30,5 milhões no país, conforme aferição do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

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