A Polícia Federal incluiu o ex-CEO da Americanas, Miguel Gutierrez, na difusão vermelha da Interpol. Essa medida foi tomada após a emissão de um mandado de prisão preventiva contra Gutierrez e a ex-executiva Anna Saicali.
A investigação aponta que eles são suspeitos de envolvimento em fraudes contábeis que chegam a um montante alarmante de R$ 25,3 bilhões.
Com a inclusão de Gutierrez e Saicali, os países membros da Interpol poderão cumprir o mandado de prisão em caso de deslocamento dos alvos. Esse passo demonstra a seriedade das investigações e a determinação das autoridades em trazer os responsáveis à justiça.
Miguel Gutierrez, que deixou o Brasil logo após sua saída do comando da Americanas, possui dupla nacionalidade, brasileira e espanhola. Anna Saicali também teria deixado o país, conforme informações obtidas pela reportagem.
Até o momento, a assessoria de Saicali não se pronunciou sobre o caso, enquanto a defesa de Gutierrez alegou não ter acesso aos autos das medidas cautelares, reiterando que ele nunca participou ou teve conhecimento de qualquer fraude e que está colaborando com as autoridades.
A investigação da Polícia Federal revelou que Miguel Gutierrez vendeu R$ 158 milhões em ações da Americanas após ser informado de sua substituição e da iminente descoberta das irregularidades.
Além das ordens de prisão, foram cumpridos nesta quinta-feira (27) 15 mandados de busca e apreensão, do sequestro de bens e valores que totalizam mais de meio bilhão de reais, todos autorizados pela Justiça.
A Americanas, por meio de comunicado oficial, afirmou que confia nas autoridades responsáveis pela investigação e ressaltou que foi vítima de manipulações deliberadas por parte da antiga diretoria.
A empresa colaborou ativamente com as autoridades desde a descoberta das irregularidades, buscando esclarecer todos os aspectos relacionados às fraudes contábeis.
O Ministério Público Federal (MPF) informou que estabeleceu um acordo de colaboração premiada com dirigentes da empresa, os quais manifestaram interesse em contribuir com as investigações.
Adicionalmente, houve cooperação intensa com um comitê externo formado pela empresa para aprofundar as apurações sobre as fraudes contábeis.
Em junho de 2023, a Americanas comunicou oficialmente ao mercado financeiro que havia identificado inconsistências significativas em suas demonstrações financeiras, confirmando a existência das fraudes contábeis investigadas.
A PF, em nota oficial, destacou que as investigações continuam em curso e que a cooperação internacional é fundamental para localizar e capturar os ex-diretores foragidos.
A Operação Disclosure representa um marco significativo no combate à corrupção e fraudes corporativas no Brasil, envolvendo não apenas a PF, mas também o MPF e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que atuaram em conjunto para desvendar e responsabilizar os envolvidos nas irregularidades contábeis.
A empresa aguarda o desfecho das investigações para tomar as medidas judiciais cabíveis contra todos os responsáveis pelas fraudes contábeis que impactaram significativamente sua reputação e sua estabilidade financeira.