Brasil

DEMOCRACIA

Gonet: denúncias da tentativa golpe estão confirmadas por provas

Segundo o chefe do MPF, o ex-presidente e os outros sete réus "não negam realidade, mas buscam se mostrar alheios" à mesma

Agencia Estado

02/09/2025 - 12h38

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou nesta terça-feira, 2, que todos os fatos descritos na denúncia da tentativa de golpe de Estado estão confirmados por provas, vez que a organização criminosa agora processada no Supremo Tribunal Federal (STF) "fez questão de documentar passos da empreitada". Segundo o chefe do Ministério Público Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro e os outros sete réus "não negam realidade, mas buscam se mostrar alheios" à mesma.

"O grupo, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro desenvolveu e implementou um plano progressivo e sistemático de ataque às instituições democráticas com a finalidade de prejudicar a alternância legítima de poder nas eleições de 2022 e minar o livre exercício dos demais poderes funcionais, especialmente do Poder Judiciário. A denúncia não se baseou em conjecturas ou suposições frágeis. Os próprios integrantes da organização criminosa fizeram questão de documentar quase todas as fases da empreitada", destacou.

O PGR destacou ações de Bolsonaro, como a reunião com a cúpula das Forças Armadas para a apresentação de planos golpistas. Também lembrou que o ministro da Defesa convocou militares para revelar estratégia adotada e que o Comandante da Marinha "chegou a assentir ao convite" à tentativa de golpe de Estado.

Ainda retomando a cronologia do golpe, o chefe do Ministério Público Federal frisou que a campanha golpista ganhou corpo com acampamentos bolsonaristas em frente ao quartel general do Exército e indicou que o "momento culminante da balbúrdia se deu em 8 de janeiro de 2023". Segundo Gonet, a "instauração do caos era considerada etapa necessária do desenrolar do golpe, para atrair adesão das Forças Armadas".

Gonet também destacou o plano de assassinato de autoridades, entre eles do ministro do STF Alexandre de Moraes. O PGR lembrou que o plano para matar o relator da ação penal foi exposto pelo general Braga Netto e confessado pelo general Mário Fernandes - que é réu em outra ação que trata sobre o golpe.

Outra faceta destacada por Gonet foi a eleitoral. Segundo o PGR, os discursos contra a legitimidade das urnas assumem uma dimensão própria em contexto golpista. Em sua visão, violência esteve presente na convocação de tropas militares e incitação a ataques às urnas, assim como em discursos de Bolsonaro e atos propiciadores de truculência real. O PGR ainda destacou os documentos encontrados com os réus, como minutas de decretos e até um discurso para Bolsonaro pós golpe.

Segundo o PGR, o golpe só não se consumou porque não conseguiu cooptar cúpula das Forças Armadas, pela "fidelidade do Exército, apesar de desvio de alguns integrantes".

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