Cidades

Educação

Classe social influencia em nível de alfabetização infantil

Número de crianças ricas bem alfabetizadas é seis vezes maior

Karyna Salles

05/04/2017 - 15h26
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A desigualdade social do Brasil tem influenciado no nível de alfabetização entre crianças desde cedo. Dados do movimento Todos pela Educação (TPE),  revelam que o número de crianças ricas bem alfabetizadas é seis vezes maior que entre as pobres.

Apenas 45,% da crianças que integram família com renda de até um salário mínimo (R$ 937) têm o nível adequado de alfabetização, conforme critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC). No âmbito da leitura e da escrita, o percentual cai para 24,9% e da matemática despenca para 14,3%. Já entre crianças de famílias com renda acima de sete salários mínimos (R$ 6.559), os percentuais aumentam: 98,3% têm nível considerado adequado em leitura; 95,4% em escrita e 85,9% em matemática.

Conforme o levantamento, as desigualdades também existem entre aqueles que moram na cidade e no campo e entre as regiões do país. A diferença no percentual de crianças com alfabetização adequada entre área urbana e área rural chega a 14 pontos percentuais em leitura, 20,6 pontos em escrita e 17,5 pontos em matemática, sendo que aqueles que moram na cidade têm os melhores desempenhos. Entre as regiões, o Norte e o Nordeste registram os menores percentuais de crianças com alfabetização adequada. A diferença dessas regiões para as de melhor desempenho - Sudeste em leitura e matemática, e Sul em escrita - chega a 32 pontos percentuais em matemática 38,6 em escrita e 23,7 em leitura.
 
Fundado em 2006, o movimento Todos pela Educação estabelece cinco metas para que, até 2022, o Brasil garanta a todas as crianças e jovens o direito à educação de qualidade. Entre as metas está a de ter toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos. Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado em 2014, o Brasil deve, até 2024, alfabetizar todas as crianças até o 3º ano do ensino fundamental. 

estiagem

Área queimada no pantanal já é 54% maior do que em ano de devsastação recorde

Até terça-feira haviam sido destruídos 372 mil hectares de vegetaçao nativa, ante 241 mil hectares de igual período de 2020

15/06/2024 07h27

Corpo de macaco calcinado no pantanal de Corumbá (MS) é somente um dos resultados das queimadas que atingem a região

Corpo de macaco calcinado no pantanal de Corumbá (MS) é somente um dos resultados das queimadas que atingem a região

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O tamanho da devastação causada pelo fogo no pantanal alcançou um novo patamar alarmante. De janeiro até esta terça-feira (11), 372 mil hectares foram atingidos por incêndios, área que supera a de duas cidades de São Paulo.

A extensão é 54% maior do que a afetada pelas chamas no mesmo período em 2020 -considerado o pior ano de queimadas no bioma-, quando 241,7 mil hectares queimaram até a data.

Os dados são do Lasa (Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais), do departamento de meteorologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Até esta sexta-feira (14), o bioma já teve, em 2024, 2.019 focos de incêndio, segundo a plataforma BD Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Em comparação, em 2023, durante o mesmo período, foram 133 focos.

Já em relação a 2020, apesar de a atual área de devastação ser maior, havia mais focos no mesmo período quatro anos atrás, 2.206.

Para especialistas, a situação atual é resultado de seca severa no bioma, que se arrasta pelos últimos anos e foi potencializada pelo fenômeno climático El Niño, e de falta de articulação para ações preventivas contra o fogo.

SOCORRO

Os picos de queimadas no bioma costumam ocorrer em setembro. Assim, com a situação já agravada no primeiro semestre e vinda de um fim de ano com alta de incêndios -em novembro de 2023, foram 4.134 focos de calor, o maior índice já medido pelo Inpe para o período-, a ONG SOS Pantanal encaminhou nesta semana uma nota técnica cobrando ações.

O documento foi endereçado aos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), exigindo um trabalho conjunto mais eficiente e alinhado.

Gustavo Figueirôa, biólogo e porta-voz do SOS Pantanal, destaca que os esforços empregados em pessoal e equipamentos, como aeronaves, ainda não são suficiente para atender a demanda.

À Folha, ele afirma que os governos "pouco aprenderam" com os episódios anteriores e que um dos principais problemas das queimadas é a falta de prevenção.

"Os governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul já assinaram um termo de cooperação com o Ministério do Meio Ambiente este ano para o combate aos incêndios, mas até agora a gente não viu a integração", avalia.

"O pantanal é um lugar difícil de acesso e a logística é complicada, mas recursos há para isso. Ainda há um número menor [de servidores] do que o necessário para começar a enfrentar esse problema da maneira correta. Precisamos de mais homens, mais equipamentos, helicópteros, aviões, à disposição para fazer esse combate de uma maneira eficaz."

SALA DE SITUAÇÃO

Nesta sexta-feira, o governo federal criou uma sala de situação para lidar com as queimadas e com a seca, especialmente no pantanal. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, liderará reuniões a partir da segunda (17) para discutir soluções a simplificação na contratação de brigadistas, equipamentos e aeronaves, entre outras medidas.

O pantanal, maior planície alagável do mundo, recebe a água das chuvas das regiões de planalto, da bacia do Alto Paraguai. Numa situação normal, o ciclo das águas começa em outubro, com picos em dezembro e janeiro, se prolongando até março, no máximo. Nas enchentes, as águas transbordam dos rios, conectam lagoas e emendam as imensas áreas alagadas.

Nos últimos anos, a dinâmica não tem funcionado dentro da normalidade. De acordo com o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a bacia do Alto Paraguai, entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, acumula déficits de chuva desde o verão de 2019/2020.

Os pesquisadores do órgão apontam ainda que a situação hidrológica atual é considerada crítica no bioma, tendo registrado seca excepcional em algumas áreas, o mais alto grau no ranking de classificação, nas estações pluviométricas de Ladário e Porto Murtinho, ambas em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Serviço Geológico Brasileiro, o rio Paraguai, o principal da região, apresenta os menores níveis históricos.
O Cemaden frisa que a seca afeta as áreas agroprodutivas e que há alta probabilidade de fogo especialmente em Mato Grosso do Sul. Todo o pantanal está em estado de atenção e alerta, diz a nota.
 

Figueirôa, do SOS Pantanal, afirma que a maior parte do fogo é causada por ações humanas, sejam intencionais ou não. As principais vítimas acabam sendo a vegetação nativa e a fauna, como macacos de diversas espécies, cobras, onças-pintadas, ariranhas, cervo-do-pantanal e araras-azuis, que estão ameaçadas de extinção.
 

ANÚNCIOS

Isabelle Bueno, coordenadora de operações do Instituto Homem Pantaneiro, explica que as altas temperaturas e o vento na região neste momento facilitam que o fogo se espalhe.

"O acesso nas áreas do pantanal dificulta um combate direto. Então, existem trabalhos de monitoramento e de proteção das comunidades, das estruturas físicas e das pessoas, mas ainda exige bastante, principalmente, apoio aéreo nesses combates, que é uma dificuldade que a gente tem hoje", ressalta Bueno.

Em nota, o Ibama diz que está com equipe de brigadistas do Prevfogo atuando principalmente em áreas particulares. O instituto afirma que foram contratados 157 brigadistas e que uma aeronave faz a avaliação dos maiores focos. Novas contratações estão previstas, segundo o órgão.

Procurado pela reportagem, o governo de MS conta que liderou a criação da chamada Lei do Pantanal, em parceria com ONGs e autoridades federais, para conservação do bioma. A gestão de Eduardo Riedel (PSDB) destaca que mantém ações de prevenção em conjunto com MT.

Os bombeiros sul-mato-grossenses, por sua vez, afirmam que instalaram 13 bases avançadas para reduzir o tempo de resposta. As operações incluem ações na Serra do Amolar e no Parque do Rio Negro, utilizando georreferenciamento, drones e aeronaves. A corporação diz que os investimentos em aeronaves e tecnologia foram intensificados desde 2020.

Também em nota, o governo do MT afirma que, neste ano, investiu R$ 74,5 milhões no combate ao desmatamento e a incêndios florestais, incluindo locação de aviões, capacitação de brigadistas e ações de fiscalização. A gestão de Mauro Mendes (União) ressalta que firmou pacto com o governo federal e estados da Amazônia Legal.

O Corpo de Bombeiros de MT diz que desenvolveu um plano de prevenção e combate aos incêndios no Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé. A corporação capacitou 50 brigadistas.

Também procurado, o ICMBio não se pronunciou sobre suas ações.

No início do mês, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o Congresso deve definir normas específicas para a proteção do pantanal em 18 meses e entendeu que há omissão legislativa. Se o Congresso não cumprir a determinação, o caso retornará ao STF.

(INFORMAÇÕES DA FOLHAPRESS)

Previsão do tempo

Confira a previsão do tempo para hoje (15) em Campo Grande e demais regiões de Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul permanece com tempo seco

15/06/2024 04h30

Céu ensolarado com poucas nuvens

Céu ensolarado com poucas nuvens Divulgação

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Neste sábado (15), a previsão indica tempo estável, com sol e poucas nuvens no estado. Esta condição meteorológica ocorre devido a atuação de uma alta pressão atmosférica em médios níveis da atmosfera que favorece o tempo mais quente e seco no estado.

Devido a presença do ar seco, são esperadas altas amplitudes térmicas (diferença entre temperatura máxima e a mínima) e baixos valores de Umidade Relativa do Ar, entre 15% e 35%. Por isso recomenda-se beber bastante líquido e umidificar os ambientes.

As condições meteorológicas previstas tornam o ambiente atmosférico propício para ocorrência de incêndios florestais e recomenda-se que a população não coloque fogo em nenhuma situação.

Os ventos atuam entre o quadrante leste e norte com valores entre 40km/h e 60 km/h. Pontualmente, podem ocorrer rajadas de vento acima de 60 km/h.

Confira abaixo a previsão do tempo para cada região do estado:

Para Campo Grande, estão previstas temperatura mínima de 20°C e máxima de 31°C.

A região do Pantanal deve registrar temperaturas entre 19°C e 33°C.

Em Porto Murtinho é esperada a mínima de 24°C e a máxima de 33°C.

O Norte do estado deve registrar temperatura mínima de 15°C e máxima de 34°C.

As cidades da região do Bolsão, no leste do estado, terão temperaturas entre 17°C e 32°C.

Anaurilândia terá mínima de 20°C e máxima de 32°C.

A região da Grande Dourados deve registrar mínima de 17°C e máxima de 32°C.

Estão previstas para Ponta Porã temperaturas entre 20°C e 28°C.

Já a região de Iguatemi terá temperatura mínima de 19°C e máxima de 31°C.

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