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CAPITAL

‘Museu de plantas’ em MS é referência para pesquisadores de todo o mundo

Casal se dedica há décadas a preservar acervo de 71 mil espécimes
29/02/2020 17:16 - Da Redação


 

Fundado em 1989, o Herbário de Campo Grande possui 71 mil espécimes de plantas catalogadas. Preservar e estudar esse material é de fundamental importância para o futuro da humanidade. Esse acervo é referência para estudos não só de Mato Grosso do Sul, mas também do Brasil e todo o mundo.

A palavra é difícil. Mas o significado tem grande importância. Herbário é uma coleção de plantas que após colhidas na natureza, passam por um processo de prensagem, depois vão para estufa onde passam por desidratação que dura em média três dias, e a última etapa é a da montagem da planta que é delicadamente montada numa cartolina, com etiqueta e todos os dados referentes aquela espécie. Após todo esse processo chamado exsicata, é que elas são armazenadas dentro de armários de metal especiais que preservam a amostra.

Os exemplares disponíveis no local, são provenientes de pesquisas desenvolvidas nos cursos relacionados às plantas e aos líquens, e também por pós-graduandos de programas da instituição das áreas de biologia vegetal, ecologia e conservação, farmácia, química e biotecnologia, que têm exemplares devidamente catalogados. As espécies estão distribuídas em angiospermas, gimnospermas, samambaias e licófitas, e líquens, com predomínio de angiospermas.

 
 

O acervo representa a flora de Mato Grosso do Sul, e segundo a curadora e professora de biologia vegetal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS),  ngela Sartori, é uma fonte infinita de recursos para diversos fins científicos. “Muitas plantas e frutos do Cerrado são usadas para produção de alimentos como o cumbaru, por exemplo. Tem plantas que são típicas de matas ciliares. Se eu tenho interesse em reflorestar uma margem que está devastada, através de um levantamento dentro do herbário, eu consigo saber quais as espécies que colonizam a margem do rio para reflorestar. A finalidade do herbário é infinita”, destaca.

O “museu” de planta no campus da UFMS costuma receber estudantes de escolas públicas e privadas, e está disponível para toda comunidade científica, além de ser instrumento de pesquisa de alunos e professores de graduação e pós-graduação da UFMS, mas também de instituições nacionais e estrangeiras.

Parcerias com instituições de pesquisas nacionais ampliaram o acesso ao acervo. Toda a coleção está disponibilizada no Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, e permite que pesquisadores de qualquer lugar do planeta tenham acesso aos exemplares sul-mato-grossenses.

 
 

CIÊNCIA E AMOR

Além dos 50 anos de matrimônio, filhos e netos, os pesquisadores Dra. Vali Joana Pott e Dr. Arnildo Pott, também são parceiros no amor pela biologia. Pelas contas do casal, já são mais de 40 anos de contribuição com estudos de flora em Mato Grosso do Sul, que renderam três livros publicados: Plantas do Pantanal, Plantas Aquáticas do Pantanal e outro de plantas invasoras.

Apesar de ser do Rio Grande do Sul a bióloga e especialista em botânica, Dra. Vali, fez história em Mato Grosso do Sul. Junto com o marido, fundou o herbário em Corumbá, onde moraram por 20 anos. Desde 2008 atua no Herbário de Campo Grande, sendo os últimos quatro anos como voluntária. Ela faz questão de frisar o termo “voluntária”, mas o seu comprometimento com o trabalho está acima de tudo, e cumpre expediente no local pelo menos três vezes na semana.

“Não é uma acumulação de plantas no herbário. Ela tem que servir para alguma coisa e tem que estar com o nome correto. Esse é o meu principal objetivo, correr atrás para que o nome científico esteja correto”, afirmou. Ela é autora do livro de Plantas Aquáticas do Pantanal com mais de 400 páginas com espécies de plantinhas aquáticas. “Cada espécie tem uma foto, tem o nome científico, que é que eu mais faço é saber o nome científico das plantas”, explica a especialista nas menores plantas com flor do mundo.

Aos 73 anos, ela é uma apaixonada pelo que faz e se doa a todo desafio que envolva a ciência. “A lista da Flora do Brasil 2020, eu fiz as aráceas [família de planta com flor] para o Brasil. Logo que assumi o compromisso, fiz a minha e já finalizei”, conta.  Por outro lado, ele que é professor de pós-graduação, conta sobre a ocupação que mais gosta. “O que eu mais faço hoje é passar os artigos e os capítulos para inglês. Isso para mim um é como uma criança fazendo um joguinho”, brinca Dr. Pott.

 

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!