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‘Não tem que se acovardar com esse vírus’, diz Bolsonaro em live

‘Não tem que se acovardar com esse vírus’, diz Bolsonaro
18/04/2020 19:15 - Estadão Conteúdo


O presidente Jair Bolsonaro voltou, neste sábado, a defender o retorno do País à normalidade com a reabertura do comércio e aproveitou para tecer críticas a políticos e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em mais um "tour" por Brasília, o presidente parou para falar com apoiadores em frente à rampa do Palácio do Planalto e repetiu que são dois os problemas atuais: o novo coronavírus e o desemprego.

"Não tem que se acovardar com esse vírus na frente", afirmou o presidente em live realizada em frente ao Palácio do Planalto e transmitida em sua página do Facebook neste sábado, 18. Ele ainda criticou governadores que adotaram medidas para fechar o comércio e restringir a circulação de pessoas como forma de incentivar o isolamento social. "Os Estados estão quebrados. Falta humildade para essas pessoas que estão bloqueando tudo de forma radical."

"A economia não roda dessa forma. Vai faltar dinheiro para pagar salário de servidor público e o Brasil está mergulhando num caos Quero crer que não seja apenas uma vontade desses políticos, que não vou nominar aqui, de querer abalar a presidência da República. Não vão me tirar daqui", afirmou o presidente aos populares sem citar nomes.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi lembrado, no entanto, pelos apoiadores que gritaram: "Fora Maia, impatriota". "Estamos com o senhor até o fim", gritaram. Na última quinta, 16, Bolsonaro confrontou Maia e disse em entrevista à rede de TV CNN que a atuação do presidente da Câmara era "péssima" e insinuou que o parlamentar trama contra seu governo. Em resposta, Maia disse que não iria atacar o presidente.

Antes da conversa com apoiadores, do alto da rampa em uma live transmitida pelas suas redes sociais, Bolsonaro ainda alfinetou o Supremo ao enfatizar que a Corte decidiu que Estados e municípios têm autonomia para decretar medidas que acharem necessárias para conter o avanço do novo coronavírus. "Nós vamos começar sim (a flexibilizar medidas restritivas), no que depender de mim. O STF falou que não tenho autoridade para isso, mas, no que depender de mim, vamos começar a flexibilizar e mostrar que não é esse o caminho. Estão fazendo o que bem entendem. Na hora que chegar a conta, não queiram colocar aqui para mim. Não é para mim não. É para o povo brasileiro. Dinheiro aqui não é meu. É do povo brasileiro", disse, apontando para o outro lado da Praça dos Três Poderes, onde está o prédio do Supremo.

Segundo o presidente, a conta para repor a perda de arrecadação de Estados e municípios com ICMS e ISS pode ultrapassar os R$ 100 bilhões. "Não temos espaço para isso no orçamento. Não é que se vire o chefe do Executivo. Se aqui nós quebrarmos, quebra o Brasil. Os Estados estão muito mal das pernas. Falta humildade para essas pessoas que estão bloqueando tudo de forma radical. Humildade, voltar atrás em alguma coisa, abrir alguma coisa, logicamente com o devido cuidado, luva, máscaras, gel, seja o que for, campanha educativa", completou.

Bolsonaro afirmou ainda que 70% das pessoas serão contaminadas com o vírus, independente das medidas restritivas. "Se não for hoje, vai ser semana que vem ou mês que vem. É uma realidade. Devemos é cuidar dos mais idosos e os que têm problema de saúde. Os demais, cuidar também, mas saber que tem que trabalhar. O País não vai para frente, vamos perder muito. Vai complicar a vida de muita gente", disse.