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SUSTO

“Achei que iria morrer”, diz educadora vítima do cerol em Campo Grande

Prática perigosa entre adultos tem deixado população com medo
31/05/2020 13:00 - Bruna Aquino


“Saiu tanto sangue do meu pescoço que eu achei que iria morrer”. Esse é o relato de mais uma vítima das linhas cortantes utilizadas ao soltar pipas - cerol e chilenas — em Campo Grande, prática bastante perigosa utilizada - na maioria das vezes — por adultos durante o período da quarentena enquanto dura a pandemia do novo coronavírus. 

Dados da Guarda Civil Metropolitana (GCM) apontam que em todo o  mês de maio, foram flagradas 1.590 pessoas nas sete regiões da cidade,  soltando pipa com linhas de cerol e linhas chilenas, a maioria adultas. 

Das pessoas flagradas, quatro foram encaminhadas a delegacia de polícia por se negar a entregar o material proibido. Durante o mesmo período, a Guarda Municipal apreendeu 713 linhas chilenas e pipas, que serão incineradas para não voltar às ruas.

 
 

A vítima dessa vez foi a educadora Edileize Ferreira Fragato, de 33 anos. Ela foi vítima das linhas cortantes no último dia 26 de abril, no bairro Aero Rancho, região do Anhanduizinho, uma das regiões com maior índice de pessoas na prática perigosa (47%), segundo a Guarda Municipal. 

Ao Correio do Estado ela contou que viveu momentos de pavor durante o ‘acidente’ enquanto pilotava sua motocicleta na Avenida Gunter Hans por volta das 17h. “Eu não sei de onde veio, só senti algo leve próximo do meu pescoço e quando coloquei a mão, vi um monte de sangue, fiquei desesperada”, contou. 

Sem saber como agir, Edileize contou que apenas seguiu o instinto de sobrevivência e continuou pilotando até o hospital mais próximo e foi atendida com urgência, mas por sorte, teve apenas um corte superficial. A proteção do capacete que ela utilizava no pescoço foi cortada ao meio devido à força da linha. “A gente fica revoltada, não é uma brincadeira, é algo que acaba com a vida das pessoas, é uma cicatriz que vai ficar para sempre, mas graça a Deus foi só um susto”, disse. 

 
 

NÃO É A ÚNICA
No início do mês, o moto entregador Nilson Pereira passou pelo mesmo susto que a educadora. Ele estava a caminho de casa quando no bairro Jardim Aero Rancho sentiu uma linha no pescoço, ele foi atingido profundamente pelo cerol e por pouco não morreu degolado.

Em busca de ajuda, ele agiu como Edileize e com uma das mãos, conseguiu estancar o ferimento e pilotou até o hospital Regional onde foi atendido. "Foi depois das 17h, tinha muitos marmanjos lá soltando pipa, quando percebi que fui atingido e estava sangrando muito, pilotei até o hospital Rosa Pedrossian onde passei por cirurgia e fiquei internado por 3 dias, é uma coisa bem desagradável", contou. 

LEI DE CONSCIENTIZAÇÃO 
No dia 12 deste mês, os vereadores da Câmara Municipal aprovaram em regime de urgência, projeto de lei que aumenta a penalização para quem for flagrado soltando pipa com cerol ou linha chilena. O projeto é de autoria dos vereadores, André Salineiro (Avante) e Eduardo Romero (Rede).

Depois de aprovado, o projeto foi encaminhado ao Executivo Municipal, mas ainda não foi sancionado pelo prefeito Marcos Trad (PSD). Enquanto isso, na última sexta-feira (29), o gestor municipal sancionou com vetos o projeto de lei de autoria da vereadora Cida Amaral (PSDB) que institui a Semana Municipal de Prevenção de Acidentes com Pipas que será realizada anualmente na segunda semana do mês de agosto.

 

Felpuda


Nos bastidores, conversas, ou melhor, quase sussurros, dão conta de que compromisso assumido teria prazo de validade se acontecer a vitória de aliado.

A partir de então, o papo passaria a ser bem, mas bem diferente mesmo, pois, com acordo cumprido, novos objetivos passariam a ser fonte dos desejos, e sem nenhuma moeda de troca.

No caso, não haveria mais sequer um fio de bigode. Tipo, cada um na sua.