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AGLOMERAÇÃO NA PANDEMIA

“É arriscado ficar aqui, mas Deus cuida”, diz desempregada

Espera chega a seis horas, e Procon promete aplicar multas de R$ 50 mil
30/04/2020 16:56 - Gabrielle Tavares


 

Em praticamente todas as agências da Caixa Econômica Federal de Campo Grande, o movimento tem sido intenso durante toda a semana. 

Em época de pandemia, em que a recomendação das autoridades de saúde é de evitar sair de casa, não se aproximar das pessoas, trabalhadores autônomos, desempregados há mais tempo e demitidos recentemente, se aglomeram ou passam horas quase intermináveis em filas, para tentar sacar o benefício de R$ 600.  

Quem teve de sair de casa para tentar receber o auxílio emergencial foi Cristina Barbosa de Almeida, recém-desempregada, que precisa do auxílio para pagar suas contas e criar seus dois filhos.

Na casa, eles têm agora só a renda do marido dela, que é insuficiente. Perguntada se tem medo de contrair a Covid-19, doença causada pelo coronavírus, ela foi direta na resposta: “É arriscado ficar aqui no meio de todo mundo, mas vou fazer o que? Deus cuida”.  

Cristina lembra que tem receio de ser infectada. “Tenho medo, eu até estava de máscara, mas tirei para beber água e ela encostou no poste, aí preferi não colocar de novo. É arriscado ficar aqui no meio de todo mundo, mas vou fazer o que? Deus cuida”.

Para tentar atenuar o drama de milhares de trabalhadores sem emprego, caso de Cristina, a Superintendência Estadual de Defesa do Consumidor (Procon) vai reforçar a fiscalização nas agências da Caixa e, se verificar descumprimento de lei municipal que limita em 15 minutos o tempo de espera, multará o banco em até R$ 50 mil.