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PANDEMIA

“Janeiro será de muita dificuldade”, diz secretário Geraldo Resende

Especialistas pedem que medidas de biossegurança sejam seguidas ao longo deste ano
04/01/2021 11:00 - Brenda Machado


O novo ano é tempo de renovação. Todas as expectativas são depositadas em boas novas, e, no caso de 2021, a esperança é deixar a pandemia do novo coronavírus para trás. Porém, a falta de comprometimento da população aponta que “janeiro será um retrato de muita dificuldade”. Esta é a avaliação do secretário de Estado Saúde, Geraldo Resende.

Em Mato Grosso do Sul, já se passaram quase 10 meses desde que o primeiro caso da doença foi registrado, e, infelizmente, a segunda onda do vírus veio ainda mais forte: a média móvel de casos ultrapassa mil confirmações diárias, alta nas mortes e a superlotação de leitos hospitalares.

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A coordenadora do Serviço de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Campo Grande, Priscilla Alexandrino, explicou que os números da Covid-19 se mantiveram estáveis por muito tempo, mas estamos no pico da curva. “Em um Estado em que se tem 2 milhões de habitantes, um número superior a mil casos por dia, é bastante preocupante, nem em setembro nós tivemos uma média móvel de casos tão alta”.

Segundo o secretário de Saúde, já se sabe que o mês de janeiro será crítico, mas os esforços estão sendo para evitar a falta de leitos. Resende reforçou que, por mais que as autoridades se mobilizem, o comportamento cotidiano é o maior indicador de melhora ou piora do cenário da pandemia no Estado.

“Apesar das recomendações, a gente vê que não existe uma noção da letalidade da doença, estou torcendo para a vacina chegar em janeiro, para atenuar os efeitos da Covid-19, e confesso que estou descrente com uma parcela significava da população que é refratária quando o assunto são as medidas de segurança”, destacou.

Mais uma vez, Resende afirmou que Mato Grosso do Sul já está pronto para vacinar a população e espera conseguir obedecer as datas previstas no Plano Nacional de Imunização, mas precisa aguardar o governo federal, que também depende do sinal verde da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de concluir as negociações.

“A gente espera que o governo as incorpore [as vacinas] no Programa Nacional de Imunização e as distribuía, mas também acreditamos que isso vai acontecer logo, já que nosso programa é um referencial mundial”, completou o secretário.

A médica infectologista também se mostrou otimista quanto ao início da vacinação dentro dos prazos, mas ressaltou que o Plano traça intervalos entre as doses, então é necessário ter paciência até que se atinja uma boa estabilidade de imunização.

“Elas [vacinas] são sim uma esperança para 2021, e devem começar a serem aplicadas na primeira quinzena de fevereiro, mas a gente tem de lembrar que são duas doses, com intervalo de 21 a 28 dias, e a gente ainda precisa de uns 14 dias, após a segunda aplicação, para que a pessoa esteja imunizada. O que nos dá de um mês e meio a dois meses entre o início da vacinação e da imunização da população”.

Além dos períodos, o Ministério da Saúde também estabeleceu grupos prioritários, ou seja, quem receberá primeiro as doses. “A vacinação vai começar com os profissionais de saúde e os idosos acima de 80 anos, nós não teremos disponibilidade de vacina para todos em um primeiro momento, então até maio será um período difícil para a aparição de novos casos de Covid-19”, avalia

Atualmente, o Brasil tem quatro imunizantes em teste, um deles, a Coronavac, da farmacêutica chinesa Sinovac, está sendo produzido em parceria com o Instituo Butantan, mas, até o momento, a Anvisa não aprovou o uso emergencial de nenhuma das vacinas.

NEGACIONISMO

Repetindo uma triste realidade já conhecida da história do mundo, o negacionismo sobre o cumprimento das medidas sanitárias, que poderia ter ficado no período da assustadora gripe espanhola, é uma das maiores problemáticas da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

Desde os primeiros registros da doença, antes de qualquer proximidade com os imunizantes, as recomendações da Organização Mundial da Saúde giram entorno do mesmo discurso: higienização frequente das mãos com uso de álcool gel, distanciamento social e uso de proteção facial (máscara cobrindo nariz e boca). Porém, desacreditados da Ciência, parte da população ainda se recusa a seguir as orientações.

Há 101 anos, em meio à devastadora gripe espanhola, última pandemia global que infectou cerca de 19,5 milhões de brasileiros (65% da população nacional na época), pessoas cansadas de seguir as recomendações de Saúde e já desconfiadas da eficácia da máscara, uma vez que o vírus não desaparecia, rebelaram-se contra o governo, daí nasceu o movimento intitulado Liga Anti-Máscaras.

O movimento teve início nos Estados Unidos, em 1919, mas também atingiu outras partes do mundo, como o Brasil. Ele carregava o argumento de que o uso do equipamento de proteção tirava a liberdade individual e ia contra a vontade da maioria, ou seja, ferindo seus direitos constitucionais. Aparentemente, mesmo após gerações, uma parcela da população brasileira ainda se mantém presa à máxima da indignação, afirmando que nada garante a eficácia das máscaras e que elas deixam as relações humanas mais “impessoais”.

O médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio frisou: “Um destaque que merece nosso reconhecimento em um ano tão sofrido, no caso específico do Brasil, é a importância da ciência como ferramenta à disposição da humanidade, para que ela consiga superar parte dos desafios que estão pela frente”.

Ainda segundo Venâncio, é essencial ter em mente que as medidas de biossegurança continuarão sendo altamente recomendadas, “não só durante o primeiro trimestre, mas ao longo de todo 2021, isso porque atravessaremos o ano no processo de imunização da população”.

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