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CAMPO GRANDE 121 ANOS

“O Desafio é vencer o inimigo”, diz Marcos Trad em entrevista exclusiva

Prefeito fala sobre percalços que a pandemia trouxe e medidas que a Capital tomou para voltar a crescer
26/08/2020 09:00 - Daiany Albuquerque, Súzan Benites


A pandemia da Covid-19 trouxe muitos desafios para os municípios sul-mato-grossenses, mas principalmente para Campo Grande, capital do Estado, que, além dos seus cidadãos, é responsável pela saúde de muitas cidades.

Este ano, por conta do isolamento social exigido pela doença, a entrevista com o prefeito da Capital, Marcos Trad, ao jornal Correio do Estado foi feita totalmente de forma remota.

Na conversa, o gestor, que está no último ano de seu mandato, falou sobre como devem ser os próximos anos de Campo Grande, após a pandemia do novo coronavírus. Trad afirmou que será “preciso criatividade” para vencer o momento.

Um exemplo dessa criatividade citado pelo prefeito para transformar esse momento está no Plano de Recuperação Econômica que foi desenvolvido pela prefeitura e que prevê um “pacote de obras, a redução da burocracia e estímulos fiscais, com o objetivo de estimular os investimentos privados que geram empregos”, segundo Trad.

Mesmo com a situação atual, o prefeito salientou que acredita em “um futuro melhor para nossa cidade” depois da pandemia.

CORREIO PERGUNTA – Como o senhor vê a situação de Campo Grande no pós-pandemia, tanto na questão econômica como social?

MARCOS TRAD – É um momento muito difícil para o mundo inteiro. A pandemia mexe com a saúde física e financeira. É preciso criatividade e muito trabalho para vencer. 

Com o objetivo de transformar o momento de crise em oportunidade, o grupo técnico do município prepara um plano de recuperação econômica, viabilizado com recursos próprios e parcerias, seja com a iniciativa privada, que permitiu, por exemplo, a reforma de praças e parques, seja com os governos federal, através de um grande volume de repasses e financiamentos, e estadual, que ajuda financeiramente com a contrapartida de diversas obras.

Outra questão importante é que os investimentos do setor público, além de estarem ligados à modernização da infraestrutura e logística que geram maior produtividade para o setor privado, promovem também um efeito multiplicador importantíssimo em momentos de crises econômicas, criando o chamado “ciclo virtuoso”. 

Estima-se que para cada R$ 1 milhão de investimentos, a construção civil cria 7,64 empregos diretos e 11,4 empregos indiretos, contribuindo de forma significativa para o aumento da demanda agregada na economia.

Além do pacote de obras, a equipe está trabalhando para agilizar e reduzir o tempo de aprovação de projetos e empreendimentos privados que geram empregos e renda, através de iniciativas como o alvará eletrônico e a informatização dos procedimentos de concessão de licenças ambientais.

Também pretendemos enviar à Câmara de Vereadores uma reforma fiscal que simplifique o processo de concessão de benefícios fiscais do Prodes [Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande] e estimule os empresários a realizar os investimentos que geram empregos e movimentam a economia do Município.

Todas estas iniciativas fazem parte do Plano de Recuperação Econômica de Campo Grande para enfrentar a crise gerada pela pandemia. Acredito na nossa gente, na nossa capacidade de trabalho.

 Sairemos mais fortes desta crise.Quais os principais desafios nesse pós-pandemia e qual deve ser a prioridade para que a cidade volte a crescer?

O principal desafio é vencer este inimigo invisível. Além das ações específicas de combate à pandemia, já estamos trabalhando num plano de recuperação econômica que envolve um pacote de obras públicas, a redução da burocracia e estímulos fiscais, com o objetivo de estimular os investimentos privados que geram empregos.

Em qualquer atividade, seja pública ou privada, o desafio é administrar com responsabilidade, planejamento, pensando não apenas no agora, mas no futuro. Pensando na cidade para os próximos anos, que o município define as prioridades, usando a criatividade e priorizando o trabalho, que é capaz de vencer qualquer desafio. 

Temos uma cidade abençoada, que está vencendo esta pandemia e também vencerá este período pós-pandemia.

Em que setores Campo Grande pode ter vantagem em relação a outras capitais para a recuperação econômica?

As decisões do Município foram acertadas ao antecipar as medidas preventivas, o que resultou em ganho significativo, comprovado por uma das menores taxas de letalidade do País. Isso fez com que conseguíssemos sacrificar o mínimo possível nossa economia, frente a esta pandemia. 

Além disso, nossa equipe teve o cuidado de avaliar a retomada de setor por setor, preocupados com a saúde física e financeira da nossa Capital. Este olhar atento, responsável, faz a nossa cidade caminhar, ainda que em meio a esta crise que atinge o mundo todo.

Na questão social, que tipos de ações devem ser feitas para que as classes menos abastadas consigam restabelecer sua autonomia financeira?

O foco é priorizar ações de reinclusão produtiva e qualificação, conversando com bancos privados e instituições de fomento para analisar a viabilidade do município; através de um fundo de aval, viabilizar o empréstimo de recursos subsidiados para micro e pequenos empreendedores.

O Município teve uma preocupação especial com estas pessoas. Sabemos das dificuldades enfrentadas sem pandemia.

Agora, você imagina como isso não é ampliado com esta crise provocada pela Covid-19. Foi pensando nestas pessoas que a gestão foi atrás de parcerias para doações de alimentos; que transformou a merenda das escolas em kits para famílias carentes; que a equipe ofereceu auxílio a artistas; transformou escolas em abrigos para proteger as pessoas em situação de rua, aproveitando a oportunidade para convencer a se tratar em uma das clínicas conveniadas.

O município atendeu a todos os setores, e todas as medidas foram tomadas com responsabilidade, priorizando a saúde das pessoas, sem esquecer que também precisavam trabalhar para garantir o sustento da família. Esta responsabilidade nos trouxe até aqui, com uma das menores taxas de letalidade do País, servindo como modelo para outras cidades.

Desde o início da gestão, o Município tem um olhar diferenciado para as famílias menos favorecidas. São oferecidos, por exemplo, diversos cursos de capacitação. Só na Secretaria de Assistência Social, 7.500 mulheres foram capacitadas para o mercado de trabalho. Há investimento no jovem, no idoso e no auxílio a pequenas empresas, com as incubadoras.

Na educação, como o senhor imagina que serão os próximos anos e que medidas a prefeitura deverá seguir para ajudar os estudantes de baixa renda que não conseguiram acompanhar as aulas on-line a recuperar o tempo perdido?

O grupo técnico está organizando um projeto de recuperação paralela para os alunos no ano letivo de 2021, no contraturno. Porém, tudo ainda está em estudo. Importante ressaltar que o município está oferecendo um caderno de atividades para os mais de 108 mil alunos das 98 escolas de Ensino Fundamental e 104 escolas de Educação Infantil durante o período de suspensão de aulas. 

A prefeitura ainda mantém um canal no YouTube da RV Reme, em que estão disponíveis os vídeos das aulas que vão ao ar pelo canal 4.2 da TVE, e ainda o aplicativo Rádio e TV Reme, que pode ser baixado de graça.

Na saúde, muitos avanços foram feitos neste período, principalmente em relação aos leitos de UTI por conta da pandemia. Como o senhor vê que será a saúde da Capital depois que esse período pandêmico passar?

A pandemia que assolou não só o Brasil, mas todo o mundo, mostrou a importância do aparelhamento do serviço de saúde.Felizmente, os trabalhos de reestruturação e fortalecimento da atenção primária e das unidades de urgência e emergência, além da manutenção e planejamento dos processos de compras de medicamentos, insumos, materiais e contratação de novos profissionais, foram preponderantes para que a rede de saúde de Campo Grande conseguisse manter uma assistência digna e de qualidade à população. Graças a Deus, até o momento, ninguém morreu em Campo Grande por falta de atendimento.

Assim que decretada a pandemia, em março deste ano, o município iniciou uma tratativa com hospitais públicos, privados e filantrópicos para aumentar a capacidade de internação de pacientes em situação mais crítica, através da contratualização de leitos clínicos de UTI, saindo de 116 para 314, com perspectiva de aumentar ainda mais, de acordo com a necessidade, garantindo, assim, que nenhum paciente padeça sem atendimento. Para o futuro, fica a certeza de que o Município sairá disso mais fortalecido, ciente das necessidades de melhoria.

Com a pandemia do novo coronavírus, a arrecadação tem diminuído em todo o Brasil. A ajuda federal tem sido suficiente para que o município consiga arcar com as despesas ou contribui para minimizar os impactos?

O município teve uma queda grande na arrecadação na segunda metade de março, com medidas mais restritivas para controle da pandemia. Quase 90% de queda. Em abril e maio, uma queda de 25%. 

Nos meses de junho e julho, houve uma recuperação com o Refis. O município conseguiu este equilíbrio com a retomada da nossa economia, ainda quem em patamares inferiores aos que eram apresentados antes da pandemia. Também contou com o auxílio emergencial, que permitiu o funcionamento sem maiores dificuldades. 

O município conseguiu resolver a inadimplência com fornecedores. O Refis na saúde ajudou a quitar dívida com hospitais. No momento, as contas estão equilibradas por este conjunto de fatores.

Por conta da queda na arrecadação, a prefeitura já está planejando o caixa para pagamento do 13º dos servidores? Já há uma estratégia definida?

Este planejamento é feito mês a mês. A prefeitura tem cumprido este compromisso com o servidor, de pagamento de salário sem atraso. Esta organização permite cumprir com todos os compromissos, ainda que o mundo todo passe por crise, neste ano, impulsionada pela pandemia.

Na visão da prefeitura, o que ficará de lição, tanto para a administração quanto para a população, desse período tão complicado de saúde pública mundial?

O mundo não será o mesmo após esta pandemia. Não tem como passar por este momento sem aprender. Fomos surpreendidos por um inimigo invisível, que mostrou ao mundo inteiro o quanto somos frágeis e o quanto precisamos um do outro para sobreviver. 

Ensinou a olhar mais para o próximo, a enxergar a importância de um abraço. Fez colocar os pés no chão. É com esta lucidez, vencendo um dia de cada vez, que acredito em um futuro melhor para nossa cidade, priorizando o trabalho e apostando na capacidade da nossa gente de vencer desafios.

 
 

Felpuda


Conversas muito, mas muito reservadas mesmo tratam de possível mudança, e não pelo desejo do “inquilino”.

Por enquanto, e em razão de ser um assunto melindroso, os colóquios estão sendo com base em metáforas.

Até quando, não se sabe, pois o que hoje é considerado tabu poderá se tornar assunto em rodinhas de conversas.

Como dizia o célebre Barão de Itararé: “Há mais coisas no ar, além dos aviões de carreira”. Só!