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CORONAVÍRUS

“Precisamos nos ajustar a viver com o vírus”, diz infectologista Júlio Croda

Médico afirmou que os meses de março e abril serão os mais desafiadores de toda a pandemia
08/03/2021 14:21 - Beatriz Magalhães, Glaucea Vaccari


Com a curva ascendente de casos de Covid-19 e com a nova cepa, duas vezes mais transmissível do vírus, a pandemia está longe de acabar e os próximos meses devem ser críticos, com possibilidade de colapso no sistema de sáude, segundo o médico infectologista Júlio Croda.

Em reunião com prefeitos na Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), nesta segunda-feira (8), o infectologista informou que é importante que os gestores estejam preparados para responder ao momento desafiador.

“Esse vírus não vai acabar tão logo, nós precisamos conviver, precisamos nos ajustar a viver com ele”, disse.

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Segundo ele, os seis consórcios municipais do Estado já estão aptos para fazer a aquisição de vacinas caso o governo federal não cumpra o Plano Nacional de Imunização.

Ainda conforme Croda, é preciso estabelecer um diálogo entre cientistas, gestores e todos os atores para tentar apresentar respostas de forma equilibrada, pesando a saúde, economia e o impacto social das ações e tomadas de decisões.

As perspectivas para os próximos meses não são boas principalmente por conta da escassez de vacinas.  

Conforme o médico, o Brasil tem capacidade para vacinar cerca de 1,5 milhão de pessoas por dia, mas não há doses disponíveis nesse quantitativo até o momento e, por isso, são imprescindíveis manter medidas restritivas para evitar o colapso na saúde,

“A gente está aguardando que essa vacina chegue o mais rapidamente possível, pelo menos para 20% da população, que seria o grupo de risco, idosos e pessoas com comorbidade. Se a gente vacina esse grupo, a gente já diminui muito a pressão no sistema de saúde, a pressão por leitos hospitalares, a pressão por leitos de UTI, que corresponde em média a 70% das internações no Brasil e não é diferente aqui no Estado”, explicou;

Previsão é que o governo federal oferte, em março, 30 milhões de doses para serem divididas entre os estados, o que dá para imunizar 15 milhões de pessoas, o que não cobre todo o grupo prioritário.

“Esse é o cenário para março, a gente não vai ter vacina suficiente, eu acho que existe um esforço coletivo dos governadores, dos consórcios dos municípios no sentido da aquisição, mas o cenário mais positivo e que a gente pode enxergar é que mesmo que seja adquirido essa vacina só chegue na ponta, na realidade dos municípios a partir de abril, porque tem que ser aprovada pela Anvisa, tem que fazer um contrato, essa vacina tem que chegar, tem que ser distribuída, então eu acredito que o mês de março a gente ainda vai viver um momento muito crítico”, afirmou Croda.

Ainda segundo ele, no cenário otimista, caso seja iniciada em abril um maior acesso a vacina, ainda levará tempo para concluir a vacinação dos idosos e pessoas com comorbidade, enquanto o que se vislumbra é um aumento de casos e internações.

“[Prefeitos] tem que estar preparados para esses dois meses, no sentido de equilibrar essas duas balanças que a gente sempre tem que pensar, a saúde e economia”, ressaltou.

Colapso

O infectologista e pesquisar ressaltou que o Estado nunca viveu um momento de colapso na saúde, mesmo nos meses mais complicados da pandemia, mas que as internações estão batendo recorde dia a dia e há dificuldade para abertura de novos leitos, o que indica que há possibilidades de colapso em um futuro próximo.

“Está tendo esforço coletivo de todas as cidades da macro de ofertar mais leitos, só que a gente tem um componente novo nesse momento, que é essa nova variante que veio do Amazonas, se tornou predominante no Brasil todo e ela transmite duas vezes mais que a variante que estava aí”, disse.

Com o contágio maior, mais pessoas precisam de leitos de UTI ao mesmo tempo.

Desta forma, Croda afirma que é importante que os municípios se atentem para as recomendações do Programa Prosseguir, que orienta, de modo geral, sobre medidas que podem ser tomadas nos momentos críticos.

O infectologista afirmou ainda que medidas precisam ser tomadas por municípios com maior número de habitantes, que concentram a maioria de casos, para ter impacto sobre as cidades menores.

“O que eu quero dizer em relação a isso é que qualquer medida que venha a ser implementada do ponto de vista de preservar vidas e leitos, tem que ser adotada pelos municipios maiores, os municípios menores apoiam os municípios menores no sentido da sua macro reagião na regulação dos leitos”, explicou.

“Se o município menor adotar essas medidas e o município maior, que tem os leitos, que tem maior número de casos, que tem maior transmissão, não adotar, não vai ter muito impacto”, acrescentou.

“Não adianta um município de 10 mil habitantes adotar uma medida e quem ele depende na macro em termos de leito não adotar, aquele leito que você está preservando vai ser ocupado por um paciente da cidade maior”, concluiu.

Boletim

Mato Grosso do Sul soma 188.267 casos confirmados e 3.469 mortes por Covid-19.

Atualmente, o Estado vive a situação mais crítica desde o início da pandemia, segundo a secretária adjunta.  

Nesta segunda-feira, Mato Grosso do Sul bateu novamente o recorde de internações, com 724 pessoas internadas nos hospitais do Estado. Campo Grande e Dourados já têm mais de 100% dos leitos ocupados.

Apenas nas últimas 24 horas, foram confirmados 652 novos casos e 25 óbitos pela doença. 

Taxa de letalidade é de 1,8%.