O quadro de alianças para as eleições municipais de outubro não está fechado, mas já é o retrato nítido da diluição das fronteiras partidárias e ideológicas, em nome de interesses locais. Prova disso, segundo um dirigente nacional do PT, é que o discurso ideológico inflamado contra o PSDB, que anos a fio marcou a campanha petista Brasil afora, foi descartado.
Seu uso está praticamente restrito a São Paulo e, nesse caso, a finalidade nada doutrinária é justificar uma "parceria pragmática", antes classificada de "espúria" pelos próprios petistas: a união da ministra do Turismo e pré-candidata do PT a prefeita da capital, Marta Suplicy, com o PMDB de Orestes Quércia.
Ao menos até agora, a única legenda que estabeleceu um parâmetro nacional, limitando as alianças, é o DEM. Assim mesmo, a restrição imposta pela executiva nacional passa longe da questão ideológica. "No nosso caso vale tudo, menos parceria com o PT", resume o vice-presidente do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC).
No geral, a regra que vale para todos os 27 partidos com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a falta de regras para as alianças na disputa municipal.