Brasília
O Governo está preparando uma farta documentação para contestar amanhã, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que participará de audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.
Os líderes governistas estão sendo abastecidos com dados desde a falência da Varig até à operação de venda da Varig para a VarigLog, passando por mudança na Lei de Falências que teria sido feita para beneficiar empresas aéreas, por sugestão da oposição. "Vamos tirar a limpo esta história", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que tentará desqualificar as denúncias de Denise Abreu de que a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, teria feito pressões para beneficiar o grupo de compradores.
O objetivo do Governo é encerrar o mais rapidamente possível a polêmica e evitar desdobramentos que levem a oposição a pressionar também em favor do comparecimento de Dilma e do advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na comissão. Até ontem, o requerimento de Teixeira não havia sido formalizado à comissão, apesar do acordo feito entre Governo e oposição na semana passada.
Enquanto os aliados do Planalto trabalham no roteiro de blindagem da ministra, os líderes da oposição buscam também argumentos para a queda-de-braço. Hoje, senadores do PSDB e DEM vão se reunir para definir a estratégia da oposição. A expectativa do líder do DEM, senador José Agripino (RN), é a de que Denise chegue ao Senado com documentos para sustentar suas denúncias feitas ao Estado. "A hora é de ouvir", disse o senador, que deseja o esclarecimento de dois pontos: a venda da empresa para um fundo estrangeiro, no caso o americano Matlin Patterson, contrariando a legislação; e o fato de os compradores não terem assumido a dívida da empresa aérea. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) acredita no aparecimento de "provas irrebatíveis" sobre o episódio.