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Acusados da morte de líder indígena serão julgados em São Paulo

Acusados da morte de líder indígena serão julgados em São Paulo

Redação

06/04/2010 - 21h08
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Thiago Gomes

 

Na próxima segunda-feira, em São Paulo, será realizado o julgamento dos acusados do assassinato do cacique guarani caiuá Marcos Veron, ocorrido em janeiro de 2003, em Juti, no interior de Mato Grosso do Sul. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF 3), seguindo manifestação do Ministério Público Federal (MPF), determinou que o júri popular aconteça em São Paulo, para garantir a imparcialidade dos jurados e evitar que a decisão sofra influência social e econômica dos supostos envolvidos no crime. Participam do julgamento o procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida, de Dourados, e o procurador regional da República Luciano Mariz Maia.

Acampados na terra indígena Takuara, na fazenda Brasília do Sul, os caiuás sofreram ataques, entre os dias 12 e 13 de janeiro de 2003, de quatro homens armados que teriam sido contratados para agredi-los e expulsá-los daquelas terras. Armados com pistolas, eles teriam ameaçado, espancado e atirado nas lideranças indígenas. Veron, à época com 72 anos, foi encaminhado ao hospital com traumatismo craniano, vindo a falecer logo depois.

Respondem pelo assassinato Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos, Jorge Cristaldo Insabralde e Nivaldo Alves de Oliveira. Em outubro de 2008, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra outras 24 pessoas por envolvimento no crime.

Entre os motivos levantados pelo MPF para pedir a transferência do Tribunal do Júri de Dourados para a capital paulista estão o poder econômico e a influência social do proprietário da fazenda, Jacinto Honório da Silva Filho.

Além disso, em seu pedido de desaforamento (mudança de local do júri), o MPF citou declarações de juiz estadual que teria se manifestado oralmente contra os indígenas e contra o procurador da República que acompanha o caso. Para o Ministério Público Federal nem mesmo a realização do Tribunal do Júri em Campo Grande seria suficiente para garantir a imparcialidade.

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