Julho representou uma mudança em relação aos padrões dos meses anteriores. Pela primeira vez no ano, os valores pagos do Orçamento, do próprio exercício, superaram os restos a pagar ? recursos de anos anteriores. De acordo com o Tesouro, os investimentos bancados com verbas deste ano somaram R$ 2,558 bilhões e os restos a pagar atingiram R$ 1,953 bilhão em julho.
No início do ano, o governo inscreveu cerca de R$ 70 bilhões nos restos a pagar na programação de gastos deste ano. A quantia é recorde e representa mais que o dobro da média dos últimos anos, quando esses recursos atingiram cerca de R$ 30 bilhões. O Tesouro evita confirmar se a queda nos restos a pagar em julho ocorreu por causa da antecipação dos empenhos no primeiro semestre para assegurar os repasses às prefeituras e aos governos estaduais.
Em anos eleitorais, as restrições para gastos em investimentos abrangem apenas os convênios entre os entes da Federação, em geral transferências voluntárias da União para estados e municípios. De acordo com a lei, esses repasses estão suspensos desde 3 de julho. Para obras exclusivas do governo federal, não há impedimentos para a liberação de dinheiro do Orçamento.
Apesar de a fatia dos restos a pagar ter recuado no mês passado, os recursos empenhados (contratados) em anos anteriores continuam a responder pela maior parte dos investimentos federais em 2010. No acumulado do ano, os restos a pagar correspondem a R$ 16,869 bilhões, o que equivale a 67% das despesas da União em obras. Até junho, essa parcela era de 72%.
Nos sete primeiros meses de 2010, os investimentos federais somaram R$ 25,144 bilhões, 67% a mais que no mesmo período do ano passado. Na comparação com junho, quando o crescimento acumulado era de 72%, o ritmo de crescimento caiu. A desaceleração, no entanto, ocorreu porque, em julho de 2009, também houve avanço nos investimentos, o que afetou a base de comparação.