O pagamento de alguns advogados que defendem bandidos presos no Brasil é feito com dinheiro do próprio crime organizado. A afirmação foi feita pelo juiz federal, Odilon de Oliveira, durante entrevista na manhã de hoje à uma emissora da Capital e, segundo ele, em países mais avançados, como é o caso dos Estados Unidos, o profissional é obrigado a checar a origem do dinheiro para constatar que não se trata de verba proveniente de lavagem de dinheiro. “Aqui não há essa exigência e seria difícil o advogado fazer já que seria necessário a quebra do sigilo bancário e fiscal do cliente”, afirmou o magistrado.
Para o juiz o que dói mais ao acusado não é a condenação, mas o confisco dos bens. A vara que julga os casos de lavagem de dinheiro, da qual Odilon faz parte, tem um estoque de bens apreendidos que a Justiça Federal “não sabe mais como administrar”. “Teremos que leiloar fazendas, temos 85 delas sequestradas, vários aviões e outros bens”, afirmou o juiz. Segundo ele, o crime organizado movimenta mais de R$ 1 trilhão de por ano no Brasil, dinheiro com o qual seria possível construir casas para 24 países do tamanho do Paraguai, conforme comparação feita pelo magistrado. O valor estimado, segundo ele, é maior do que o Produto Interno Bruto (PIB) da União Européia.
Para Odilon, o Brasil precisa levar mais a sério o combate ao rime organizado. “O Brasil está perdendo a guerra, temos que endurecer a legislação e pulverizar as autoridades”, admitiu.
Durante a entrevista Odilon destaca que os presídios federais foram as melhores coisas criadas no Brasil. “A legislação brasileira é muito piedosa com os presos”, afirmou Odilon que defende escutas até mesmo nos encontros íntimos que os presos têm direito uma vez por mês. “Nesses encontros eles mandam e recebem recados para o crime organizado”, afirmou. De acordo com o juiz, os parlatórios [locais onde os presos recebem os advogados] precisam ser monitorados constantemente. “99% dos advogados são pessoas descentes mas há os que são tão sebosos e criminosos quanto o próprio cliente”, concluiu.