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Síria prende opositor após entrevista; milhares protestam nas ruas

Síria prende opositor após entrevista; milhares protestam nas ruas

Redação

20/04/2011 - 12h01
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O opositor sírio Mahmud Issa foi detido na cidade de Homs (centro), no momento em que se aguarda para esta quarta-feira a suspensão do estado de emergência em vigor na Síria desde 1963 --uma das principais reivindicações do movimento de protesto iniciado há mais de um mês.

Também hoje, milhares de estudantes protestaram na Síria contra o regime autoritário que vigora no país, exigindo que o ditador Bashar al Assad cumpra as declarações feitas sobre uma possível reforma do país. Rebeldes também prometeram "uma grande demonstração" nesta quarta-feira.

Já o opositor Mahmud Issa foi detido na noite de terça-feira, depois de conceder uma entrevista ao canal Al-Jazeera, informou o presidente do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdel Rahman.

Mahmud Issa ficou detido de 1992 a 2000 por integrar o Partido do Trabalho (comunista, proibido) e de 2006 a 2009 por ter assinado um texto Damasco-Beirute que pedia um Líbano soberano e independente.

Na entrevista, o opositor citou a morte do general Abdo Jodr al-Telawi na região de Homs. Ele afirmou ignorar a identidade do assassino e pediu uma investigação sobre o crime, segundo Abdel Rahman.

A agência oficial Sana e os jornais estatais afirmaram na terça-feira que "grupos de criminosos armados que bloqueiam as estradas e espalham o medo surpreenderam o general Abdo Jodr al-Telawi, seus dois filhos e um sobrinho, que foram assassinados a sangue frio em Homs".

Desde o início dos protestos em 15 de março na Síria, o regime acusa "grupos armados criminosos" de terem iniciado a violência.

Segundo o jornal "Al Watan", ligado ao governo, o presidente Bashar al-Assad tinha previsto publicar nesta quarta-feira o decreto de suspensão do estado de emergência, que limita as liberdades públicas.

Esta é uma das principais reivindicações do movimento de protesto no país, que ganhou força nos últimos dias.

O estado de emergência está em vigor desde a chegada ao poder do partido Baath em 1963. Assad prometeu no sábado passado que a medida seria revogada em uma semana no máximo.

A lei de emergência impõe restrições à liberdade de reunião e de deslocamento e permite a detenção de suspeitos ou pessoas que ameacem a segurança.

O governo também anunciou na terça-feira que aboliria a Corte de Segurança do Estado, assim como a lei que regulamente o direito de manifestação.

A Anistia Internacional expressou satisfação com os anúncios e pediu a Assad uma ação imediata e concreta para que acabar com a onda de assassinatos de militantes opositores pelas forças de segurança.

Mas Assad, que chegou ao poder no ano 2000, após a morte do pai Hafez, também afirmou que não aceitaria mais novas manifestações.

Mais de um mês depois do início dos protestos, as manifestações se tornaram mais radicais e passaram dos pedidos por reformas a exigências pela queda do regime.

Protestos

Pelo menos 200 pessoas foram mortas desde o começo dos protestos contra a ditadura na Síria.

Hoje, 4.000 estudantes universitários de Daara e regiões próximas protestaram perto da cidade al-Omari Mosque.

Ativistas disseram também que dezenas de estudantes protestaram hoje na Universidade Aleppo, parte norte do país. Houve confronto no campus entre estudantes favoráveis e contrários ao regime. Não há, no entanto, registro de mortos ou feridos.

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