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Indígenas na Bolívia retomam marcha até La Paz contra rodovia

Indígenas na Bolívia retomam marcha até La Paz contra rodovia

Redação

02/10/2011 - 13h45
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Indígenas amazônicos bolivianos recomeçaram no sábado, após uma dura repressão, sua marcha de protesto contra a construção de uma rodovia em plena selva financiada pelo Brasil, em meio a acusações e críticas do governo local.

O presidente Evo Morales acusou os manifestantes de buscarem o fracasso das inéditas eleições judiciais de 16 de outubro, já que a marcha está a mais de 250 km ao norte de La Paz e deve chegar à sede do governo quatro dias antes do processo eleitoral.

"Reiniciamos a marcha e nossa intenção não é a de enfrentarmos ninguém. O que o governo deve fazer em vez de acusar os indígenas é resolver de uma vez este problema da estrada", disse à mídia local Adolfo Chávez, presidente da Central Indígena do Oriente Boliviano e ex-aliado de Morales.

Embora ainda sejam poucos em número em comparação às etnias aymara e quéchua do ocidente andino, que apoiam maciçamente Morales, os indígenas amazônicos que iniciaram a marcha em 15 de agosto na cidade de Trinidad são apoiados por setores que questionam o discurso ecologista do governo.

O setor mobilizado rejeita a construção de uma estrada que atravessaria o território indígena e o Parque Nacional Isidoro Sécure (TIPNIS) no centro da Bolívia.

Milhares de indígenas bolivianos retomam marcha até La Paz contra construção de estrada
Os nativos querem exigir de Morales que "tome a decisão de modificar o projeto através da promulgação de uma lei que estabeleça expressamente que a estrada não atravessará o território indígena", diz um comunicado.

Os indígenas consideram que não é "nem legítima, nem válida" a intenção de realizar uma consulta cidadã sobre o tema, uma iniciativa do presidente.

Morales tentou nove vezes dialogar com os manifestantes, enviando mais de uma dezena de ministros a diferentes regiões ao longo do trajeto, que percorre 602 km até chegar a La Paz. Mas não conseguiu frear a marcha.

O maior momento de tensão ocorreu no domingo passado (25), quando forças policiais intervieram com violência contra a marcha indígena que se dirigia a La Paz, e que ocorre há mais de 30 dias, em uma situação que despertou generalizada condenação da sociedade.

Pressionado pelas circunstâncias da intervenção, Morales anunciou a suspensão temporária do projeto para efetuar uma consulta às regiões envolvidas e pediu desculpas pela violência das forças de ordem. 

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