Esperar atendimento médico por até 8 anos pode parecer uma situação surreal, mas ela foi constatada em Campo Grande, pela Controladoria Geral da União (CGU), que durante investigação descobriu que a demora ocorre principalmente nas consultas para neurologia, mas há outros casos em que o atraso passou dos dois anos, como nas cirurgias de tratamento das doenças do sistema nervoso.
Na Capital há apenas dois hospitais que dispõem de neurocirurgia, a Santa Casa e o Regional. Nestes locais, a soma de vagas oferecidas por mês é de 190, e a fila de espera passou dos 1,8 mil pacientes. Enquanto a fila para consultas da mesma especialidade, realizadas no Centro de Especialidades Médicas (Cem) e Centro de Especialidades Médicas da Anhanguera Uniderp (Cemed), é de 4. 546 mil pessoas, números observados pela Controladoria entre 17 a 28 de agosto de 2015 em relatórios do município referentes ao mês de junho do mesmo ano.
Para a CGU, a execução da política de regulamentação do município é ineficiente na gestão da fila de espera para procedimentos especializados e até mesmo na oferta e uso de leitos. Conforme o relatório, tais fragilidades podem impedir que um paciente seja encaminhado a uma determinada unidade de saúde, mesmo existindo leitos disponíveis.
(*) A reportagem, de Anny Malagolini, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.