Devido a insatisfação com as condições precárias de trabalho oferecidas no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, 85 agentes penitenciários da unidade cruzaram os braços nesta segunda-feira (25).
Caso o governador, Reinaldo Azambuja (PSDB) não agende reunião com a classe dentro dos próximos dias a paralisação pode se estender até o dia da greve, 2 de maio. Apenas os serviços essenciais como saúde, alimentação e jurídico continuam sendo realizados normalmente. Para esta terça-feira a previsão é de que agentes da unidade carcerária de Dourados também podem aderir à paralisação.
Uma das reclamações dos agentes é com relação a falta de efetivo para atuar nos plantões de final de semana. Ontem, funcionários tiveram que definir escala por conta própria, já que seis agentes intoxicados estão afastados. “Servidores voluntários e de outras unidades foram para ajudar no plantão de ontem, pois não teve reposição dos agentes”, ressaltou André Luiz Garcia Santiago, presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsap-MS).
Para o secretário de Secretaria de Segurança Pública do Estado Mato Grosso do Sul (Sejusp), José Carlos Barbosa (PSB), o Barbosinha, o efetivo não diminuiu, os presídios continuam os mesmos, o mesmo número de presos e com os mesmos riscos. “O agente é treinado e conhece as dificuldade que ele enfrenta no sistema, tem período de mais tranquilidade e de mais tensão, estamos vivendo momentos de tensão”, defendeu o secretário que está à frente da pasta há exatos 25 dias.
Em contrapartida, Santiago defende que desde o ano passado vem fazendo denúncia ao estado e que levou até o conhecimento do governador o diagnóstico que precisava ser tratado. “A situação piorou, o número de servidores é menor, porque aposentaram e tiveram exoneração a pedido por vários motivos, ou porque passaram em outro concurso ou porque achavam que não valia a pena o serviço. O número de detentos aumentou 30% do ano passado até agora”, enfatizou o sindicalista.
Barbosinha garante 400 pessoas aprovadas na prova estão se preparando para assumir. “Mas não é da noite para o dia. Não podemos politizar a discussão do problema”, alegou o secretário ao afirmar que reconhece as dificuldades e as revindicações da classe.
Ainda conforme ele, não existe alternativa para resolver a situação como num passe de mágica. “Gostaria de ter essa solução, mas o trabalhador precisa de qualificação e em dezembro novos agentes serão incorporados ao sistema”, pontuou.
Em média, cerca de 300 detentos ficam soltos dentro do pátio para dois agentes cuidarem. “Os funcionários são supostos reféns, por isso a medida tem que ser tomada agora”. O banho de sol que até então estava sendo de 5h, passa a ser de 2h. “Regalias foram cortadas”, alegou Santiago.