Cidades

Campo Grande

Catadores do antigo lixão buscam sobreviver em aterro de entulhos

Sem proteção, trabalhadores ficam vulneráveis a contaminações

Redação

19/09/2016 - 08h00

O fechamento definitivo da área de transição do antigo lixão de Campo Grande levou os catadores que atuavam lá para o Aterro de Entulhos localizado no Jardim Noroeste. Pelo menos 60 deles estão fazendo do local seu novo espaço de trabalho. Sem nenhum tipo de controle de quem entra ou sai e nehuma segurança às atividades, os trabalhadores ficam vulneráveis a contaminações e até mesmo ferimentos.

O Correio do Estado esteve no local e verificou que não há qualquer equipamento de proteção disponibilizado aos catadores e que nem mesmo cadastro - conforme era feito no antigo lixão - existe para controlar quem acessa o espaço, lotado de restos de materiais de construção, metais, galhos de árvores e outros produtos. 

Representante dos trabalhadores do antigo lixão, João Alves, afirma que muitos enxergaram no Aterro de Entulhos a nova fonte de renda, mas a distância incomoda e por causa disso, a renda caiu muito. “Ainda dá pra tirar de R$ 80 a R$ 100 por dia, mas nem todos os 60 vão todos os dias, porque falta passe de ônibus. A locomoção é bem ruim”, comentou.

Além disso, a prefeitura não oferece nenhuma assistência, seja de controle ou cadastro de catadores, seja para proteção deles durante as atividades, fornecendo equipamentos de proteção individual (EPIs). “Não tem. A gente que tá chegando lá agora até tenta usar do que a gente encontra no meio dos entulhos mesmo, mas pela prefeitura não tem nada”.

Vale ressaltar que o aterro está irregular não apenas com os catadores, mas com o próprio local. Não há licença de funcionamento e nem mesmo espaço suficiente para receber as cerca de 1,6 tonelada de entulhos que chegam ali todos os dias. “Está saturado”, diz motorista de caçamba que preferiu não se identificar com medo de retaliações.

Mais que isso, há denúncias frequentes de descarte de outros tipos de materias que não apenas entulhos, como lixo comum e até mesmo animais mortos. “Tem direto, porque as pessoas jogam dentro das caçambas nas ruas e quando entra aqui ninguém separa. Não tem nenhuma fiscalização”, disse o mesmo motorista.

Quem mora na região lamenta a sitiação e diz que o mau cheiro nas redondezas é frequente. “Tem dias que isso aí é insuportável. Quando pega fogo então, ninguém respira É horrível demais”, conta a aposentada Maria do Socorro Batista, 72, que já chegou a trabalhar como catadora no aterro. Hoje, o filho dela, Francisco Batista, 53, atua no local e diz que é completamente insalubre. “Não dão assistência nenhuma pra gente. É cada um por si”.

*A reportagem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado. 

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