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Saúde

Homem "culpado" pela epidemia de AIDS é inocentado pela ciência

Homem "culpado" pela epidemia de AIDS é inocentado pela ciência

Redação

26/11/2016 - 23h00
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Ahistória da epidemia da AIDS e do HIV como a conhecemos está prestes a mudar, graças a um estudo divulgado pela revista Nature. Diferente do que se pensava, a publicação mostra que a primeira pessoa a levar o vírus para os Estados Unidos não foi o comissário de bordo franco canadense Gaetan Dugas, conhecido como o “Paciente Zero”.

Na época, publicações como o New York Post chegaram a estampar a foto de Dugas com a manchete nada sutil: “O homem que nos deu a AIDS” — em um exemplo perfeito de como a imprensa reforça os preconceitos, dificultando ainda mais a prevenção da epidemia.

Agora, usando uma sofisticada técnica genética de reconstituição, um time internacional de pesquisadores mostrou que o vírus, depois de ser transmitido aos humanos por primatas, viajou do Zaire para o Haiti, por volta de 1967, e chegou a Nova York, por volta de 1971, espalhando-se até São Francisco e, por volta de 1976.

Assim, a nova análise revela que a amostra do sangue de Dugas continha uma variação do vírus que já havia infectado homens antes dele começar a frequentar Nova York.

Acredita-se que o erro tenha se dado por uma confusão semântica. Em alguns relatórios do início dos anos 1980, Dugas é identificado como “paciente O”, com a letra “O”, que significa “out of California” (usado para pacientes que foram infectados fora do estado da califórnia, no jargão médico da época). “O circular símbolo ambíguo começou a ser lido como zero, alimentando a noção de que a epidemia poderia ter sido responsabilidade de uma única pessoa”, escreveu o The New York Times.

“Um dos perigos de focar em apenas um paciente como sendo o responsável pela epidemia é que podemos obstruir fatores estruturais importantes que contribuíram para essa evolução”, afirmou o historiador Richard McKay, co-autor do estudo e professor da Universidade de Cambridge, ao jornal The Guardian.

A informação pode ajudar a entender melhor a epidemia do vírus. “Se quisermos saber como vamos deter a epidemia, precisamos saber quem infectou quem e como isso aconteceu”, afirmou ao The Guardian a virologista Gkikas Magiorkinis, da Universidade de Oxford.

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