A violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul ainda faz vítimas e dados divulgados nesta semana contabilizam que quatro pessoas foram assassinadas em casos de feminicídio em 2018. Ano passado, esse número foi de 16. Outro dado que agrava essa situação é que das 16 mulheres mortas ano passado, nenhuma havia registrado boletim de ocorrência por agressões anteriores.
“Isso ressalta ainda mais a importância da denúncia. O silencio mata. Todos nós, como cidadãos, devemos contribuir e muitas vezes falar pelas mulheres agredidas. Faço um apelo para que a população denuncie”, alertou a delegada Ariene Nazareth Murad de Souza, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande.
No ano passado quase 5 mil mulheres receberam medida protetiva em Mato Grosso do Sul e mais de 50% delas têm de 18 a 34 anos.
Essas estatísticas foram divulgadas pela delegada da Deam em palestra promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Institutos Federais de Ensino de MS (Sista-MS).
O tema da exposição feita pela policial foi “Violência doméstica e a lei Maria da Penha" e aconteceu em auditório da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
“As mulheres e a sociedade não podem permanecer calados diante de números tão sérios. Precisamos realizar trabalhos para que esses números sejam conhecidos, criticados e anulados”, defendeu a coordenadora geral do Sista-MS Cléo Gomes.
A delegada informou que pesquisa online feita com jovens de 16 a 24 anos de ambos os sexos mostrou que três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos. O levantamento foi feito pela Data Popular e Instituto Avon, em 2014. As constatações vão além: metade sofreu violência após o fim da relação; 37% tiveram relações sexuais forçadas sem proteção; um em cada 4 homens já repassaram imagens de mulheres nuas sem consentimento delas a terceiros.
“A agressão começa verbalmente e sempre evolui para agressão física e termina com um homem amoroso e carinhoso prometendo que vai mudar, e o ciclo da violência começa novamente. A mulher está envolvida psicologicamente e não consegue romper esse ciclo”, alertou a delegada.
SITUAÇÃO REAL
Presente na palestra, a jovem B.O.S, 28 anos, contou a violência doméstica que sofreu. Conforme ela, o problema começou com um relacionamento abusivo e o agressor a todo momento parecia estudar a vítima.
"Depois ele começa fazer com que ela se sinta dependente dele como se ele fosse o melhor, um círculo vicioso, e quando decide tomar uma atitude começam as agressões e a vítima se sente bloqueada emocionalmente para agir de maneira adequada", relatou a jovem.
Para a auxiliar de enfermagem S.C.C.L., a mulher deve obter o máximo de conhecimento possível para conseguir agir. "O evento é muito importante para que as mulheres tomem conhecimento e se alicercem na tomada de decisão contra qualquer assédio ou outro ato de violência que estejam sofrendo em qualquer ambiente de sua vida", opinou.
ESTATÍSTICA NACIONAL E COMBATE
No Brasil, a cada 2 minutos 5 mulheres são espancadas. A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada. Além disso, a cada uma hora 503 mulheres sofrem violência e a cada 2 horas uma mulher é morta.
O Sista-MS informou que desenvolverá atividades em favor das mulheres tanto no mercado de trabalho como nos lares onde a violência doméstica e abusos são registrados em sua maioria das vezes. O sindicato, inclusive, colocou a seu telefone para receber qualquer denúncia de mulheres: (67) 3387-4163.