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Empresas do país ajudam pacientes a achar médicos que prescrevam maconha

Empresas do país ajudam pacientes a achar médicos que prescrevam maconha

Redação

29/11/2018 - 21h15
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Duas novas empresas brasileiras querem tornar mais popular o tratamento com a maconha medicinal no país. Com propostas parecidas, as startups Dr. Cannabis e Indeov conectam médicos que prescrevem os remédios, pacientes interessados e fornecedores de países como Canadá e Estados Unidos.

"Tem muito médico que já prescreve esse tratamento, mas ainda está dentro do armário canábico", brinca Viviane Sedola, diretora da Dr. Cannabis. Além de conectar pacientes e médicos, a empresa faz busca ativa em redes sociais por pessoas interessadas na maconha medicinal.

Após a prescrição do composto por um médico, a empresa passa a atuar no trâmite para a autorização e importação do remédio.

A Indeov funciona de maneira parecida, mas trabalha exclusivamente com duas marcas americanas, Elixinol e Charlotte's Web.

Na prática, as empresas atuam como revendedoras dos produtos canábicos e tiram daí parte do dinheiro para seu funcionamento.

Para muitos especialistas, porém, ainda é cedo para dizer que a planta é medicinal. "O canabidiol, que não tem o poder de induzir dependência, vem sendo estudado. Mas os estudos estão no começo, do ponto de vista científico", diz a psiquiatra Ana Cecília Marques, da Unifesp.

Ela explica que é necessário que as etapas das pesquisas sejam seguidas e aguardar os resultados dos testes, para só então disponibilizar o tratamento. "Nada de panaceia. É preciso respeitar a ciência e o ser humano", afirma.

Desde 2015, brasileiros podem usar medicamentos à base de canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC), substâncias encontradas na Cannabis. Para ter acesso, é necessário laudo médico cadastro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Hoje, já é possível importar produtos como o óleo da planta, em frascos ou em cápsulas, e o creme, indicado para psoríase, doença crônica que causa irritação na pele. No Brasil, os usos mais comuns são para casos de epilepsia, câncer, autismo, alzheimer, parkinson e dores crônicas.

A compra de uma quantidade suficiente para três meses de uso do óleo de canabidiol sai por cerca de UU$ 550 (R$ 2.094), segundo Viviane.

Com suporte da Dr. Cannabis, a aposentada Maria Julia de Sousa, 91, entrou neste ano com o pedido de autorização para importar o óleo. Segundo ela, é uma alternativa para tratar dores que sente nos braços, ombro e nuca, e que limitam seus movimentos.

"Tomo muitos remédios e não há dinheiro suficiente", diz a aposentada. A primeira compra será custeada pela família, que pretende pedir reembolso pelo SUS para os próximos pedidos.

O preconceito não atrapalhou a decisão de Maria Julia, que afirma ter se informado bastante sobre a Cannabis, mas é apontado por profissionais como uma barreiras para a popularização do tratamento.

"É preciso entender que o paciente não quer o 'barato', ele quer alívio para os sintomas da sua doença", afirma a médica Paula Dall Stella, que prescreve terapias com maconha e atua na Ama+me (Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal)

A falta de conhecimento é um dos fatores que causam mais temor nos profissionais, segundo Dall Stella. "Mas o médico que não se atualizar vai perder pacientes, que podem procurar o tratamento em outro lugar", completa.

Pensando na formação do médico, as startups também trabalham tirando as dúvidas e dando suporte para os profissionais que querem prescrever as terapias canábicas.

"Educação nesse campo é um pilar fundamental. Se queremos que esses médicos não tenham mais preconceito, precisamos ter um padrão mais alto, como o da indústria farmacêutica", afirma Camila Teixeira, diretora da Indeov.

O negócio já desperta interesse de investidores brasileiros e estrangeiros. A Indeov anunciou durante o primeiro CannX Brasil (Congresso Internacional de Medicina Canabinoide), realizado em são Paulo entre os dias 12 e 14 de novembro, que vai receber um aporte inicial de US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhoes) da Cann10, empresa israelense do ramo que foi também uma das realizadoras do evento.

A Dr. Cannabis, por sua vez, encerrou neste mês uma campanha de financiamento coletivo, na qual atingiu a meta de captação de R$ 750 mil.

O entusiasmo dos investidores tem motivo. De acordo com levantamento da empresa New Frontier Data, o número de pacientes de Cannabis no país pode chegar a 3,4 milhões em três anos após a liberação da venda legal.

Se a estimativa estiver correta, a consultoria afirma que esse campo poderia movimentar sozinho cerca de R$ 4,4 bilhões, valor equivalente a 6,3% do total do faturamento da indústria farmacêutica no Brasil em 2017 (R$ 69,5 bilhões), segundo dados do Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico.

Doenças que podem ser tratadas com a cannabis
Participação substancial
dor crônica ou aguda
câncer
náusea
esclerose múltipla
espasticidade
HIV/Aids
distúrbios associados ao consumo de opioides

Participação moderada
apneia obstrutiva do sono
fibromialgia
artrite reumatóide
parkinson
glaucoma

Participação limitada
síndrome consumptiva (perda involuntária de peso)
síndrome de Tourette
ansiedade
estresse pós-traumático
distúrbios alimentares
alzheimer
demência

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