Estudo aponta que os anticorpos que o corpo humano produz para combater o novo coronavírus duram pelo menos quatro meses após a infecção. Além disso, cientistas chegaram à conclusão de que a resposta imune não acaba rapidamente, como haviam apontado pesquisas feitas anteriormente.
A análise foi realizada em conjunto por profissionais de diferentes países e publicada no The New England Journal of Medicine no começo da semana. Eles testaram mais de 30 mil pessoas na Islândia. Este é considerado o maior trabalho até o momento sobre as defesas do organismo contra a Covid-19.
Os resultados são boas notícias para quem está trabalhando na produção de vacinas contra a doença. Se as substâncias conseguirem induzir a uma resposta semelhante à natural, é possível que sejam eficazes.
Um dos maiores mistérios relacionados à doença pandêmica era justamente a proteção gerada contra o agente infeccioso. O grande problema é que a comunidade acadêmica estava diante de um vírus novo, cujos primeiros casos foram registrados há apenas um ano.
Dessa forma, pesquisas menores sugeriram que os anticorpos desapareciam rapidamente e quem não teve sintomas, não produziria resistência alguma contra a Covid-19.
No entanto, o estudo recente comprovou que há duas ondas de produção de anticorpos e os cientistas haviam analisado somente a primeira delas, que não é tão estável quanto a segunda, já que eles aconteciam em média 28 dias após o diagnóstico.
A resposta mais eficiente aparece depois de um mês ou dois após o contágio, disseram os pesquisadores. Aparentemente, esses anticorpos são de duração estendida, mas como os voluntários eram casos recentes, ainda não é possível dizer com certeza por quanto tempo mais a proteção seguirá com vigor.
Os pacientes foram acompanhados tanto com exame de RT-PCR (o teste do cotonete no nariz) quanto os exames sorológicos. Tanto hospitalizados quanto assintomáticos e casos leves fizeram parte.
Na Islândia, os primeiros casos apareceram em fevereiro, quase tão recentes como o Brasil.
SÓLIDO, MAS COM RESSALVAS
O médico doutor em medicina tropical, pós-doutor em imunologia e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, James Venturini, disse ao Correio do Estado que estamos diante de uma ótima descoberta, mas ainda há dúvidas se os resultados podem ser aplicados a exatamente todas as pessoas que pegaram ou pegarem coronavírus mundo afora.
Isso porque ele foi realizado dentro de uma sociedade muito específica. “A Islândia é uma ilha É preciso saber como foi feito o isolamento por lá, o tipo do vírus que circulava, dentre outros fatores. Ele (artigo) foi bem publicado porque tem resultados inéditos e promissores, mas na ciência, a reprodutibilidade dos estudos é essencial, por isso tem de ser realizado no mundo todo”.
Venturini acrescenta que os resultados devem ser interpretados as condições em que foram colhidos. Agora, é preciso aguardar outras pesquisas semelhantes em outros países para saber se o achado será o mesmo. “Estamos torcendo para que sim. É assim que a ciência funciona”, explica.
Contudo, por enquanto já é possível dizer que os indícios são fortes de que a imunidade contra a Covid-19 é mais prolongada do que se imaginava.