Cidades

BONITO

"Imagens fazem parte de contexto mais amplo", diz PM sobre mulher agredida

Instituição disse que mulher terá amparo psicossocial da Polícia Militar

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul afirmou que a mulher algemada que foi agredida por um policial militar dentro de quartel em Bonito terá amparo psicossocial oferecido pela corporação e que as imagens divulgadas fazem parte de um contexto mais amplo.

Em vídeo divulgado em suas páginas oficiais, a PM informa que todas as medidas legais que o caso requer foram adotadas.  

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“A Polícia Militar disponibilizou à senhora que aparece no vídeo amparo psicossocial, através do fundo de assistência feminina da PM, ofertando-lhe todo o apoio necessário neste momento”, diz o vídeo.

Ainda segundo o posicionamento, o caso está sendo tratado com "cautela e transparência" e os policiais envolvidos foram afastados, de maneira preventiva, das atividades operacionais.  

“Compreendemos o fervor que as imagens causam, elas fazem parte de um contexto mais amplo, que será investigado por meio de um inquérito policial militar”, afirma o audiovisual.

Um dos policiais envolvidos, Andre Luiz Leonel Andrea, que exercia o cargo de 2º tenente, foi transferido para Campo Grande, onde fará serviços administrativos e de guarda e escolta.  

Conforme a PM, eles terão direito a “ampla defesa e ao contraditório”.

“O episódio foi um fato que não exala a nossa essência, nem a formação doutrinária da instituição”, conclui a instituição.  

Na segunda-feira (23), governador Reinaldo Azambuja (PSDB) assinou ordem de afastamento imediata dos policiais.

“Ainda que tenha havido ocorrência de desacato e agressões aos policiais, são inadmissíveis a violência extrema e a conduta empregada na ação policial nestes casos”, diz a nota assinada pelo governador.  

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O caso

As agressões, que aconteceram no final de setembro, foram filmadas pelo circuito interno do local e divulgadas somente no último sábado (21).

Em entrevista para o Correio do Estado na segunda-feira (23), a vítima, que preferiu não se identificar, relatou alívio ao saber da ordem de afastamento do governador.

“Eu fico feliz porque não vai ter mais pessoas para sofrer na mão dele. Depois do que aconteceu comigo, aconteceu com outras pessoas também, então não sou só eu a vítima. Ele está acostumado a usar o poder dele como polícia para desferir a raiva e o despreparo que ele tem, então ele não teria honra de vestir a farda ainda mais porque se diz proteger”.

A mulher foi presa após confusão em um restaurante na frente da pousada onde estava hospedada em Bonito. Ela discutiu com a dona do estabelecimento após a demora em um pedido, que era para sua filha autista de 3 anos.

A proprietária chamou a polícia e a mulher foi presa. Ela disse que as agressões físicas e verbais começaram ainda no camburão e que foi impedida pelo tenente de ligar para seu marido e que teve seu celular quebrado.

A Constituição Federal garante sem seu artigo 5º, LXII, que “a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada”.

Nos fatos narrados pela vítima, seu marido só ficou sabendo do ocorrido quando acionado pela filha mais velha, que ligou para ele do abrigo do Conselho Tutelar, onde foi levada com os irmãos pelos policiais.

Com a violência comprovada pelas imagens, a mulher ficou com hematomas no peito, nas costas, no braço. Ela relatou sentir dores até hoje, dois meses depois, por causa dos chutes do policial.  

“Ninguém me bateu a não ser o Leonel, ninguém encostou em mim a não ser o Leonel. Ele que a todo momento me espancou, nem me bateu, me espancou. Foram os piores momentos da minha vida”.

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