Cidades

AQUIDAUANA

Quadrilha estudou Aeroclube por uma semana antes de roubo

Dois moradores de Anastácio que participaram do roubo foram presos; polícia ainda está à procura do chefão do bando

A quadrilha formada por mais de 10 ladrões que roubou três aviões no Aeroclube de Aquidauana, na madrugada de segunda-feira, estudou o local uma semana antes do “arrastão”, conforme informado pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco). 

Uma pessoa era encarregada de cuidar a rotina do aeroporto, tirando fotos e fazendo o reconhecimento do local.

“Foi uma semana antes que eles deram uma olhada por lá, basicamente”, comentou a delegada titular do Dracco, Ana Cláudia Medina.  

Após o roubo, uma operação conjunta da Força Tática do 7º Batalhão de Polícia Militar de Aquidauana e do Batalhão de Choque de Campo Grande resultou na prisão de dois envolvidos no esquema, Roger Breno Wirmond dos Santos, de 22 anos, e Cristhofer Cristaldo Rocha, de 20 anos, ambos de Anastácio.  

A diretora do Dracco deixou claro que nenhum deles participou do roubo em si.

“O que eu deixo claro é que nenhum dos dois, embora tenham participado do crime, cada um com a sua função, estava efetivamente na ação da madrugada: eles tinham conhecimento de todo o caminho do crime e participaram de etapas do crime. Isso que diferencia a organização criminosa”, explicou Medina.

Roger, conhecido como Zói, estava encarregado de cuidar a rotina do Aeroclube, tirando fotos e fazendo reconhecimento.

Segundo o boletim de ocorrência, Roger disse que receberia o valor de R$ 5 mil de um terceiro autor, identificado por ele como Lázaro, para pode acompanhar a movimentação da polícia de Aquidauana.

O envolvido afirmou que conhecia ainda outros criminosos do bando, chamados Nego e Cupicho.

Ainda de acordo com ele, o autor identificado como Lázaro, que não foi pego pela polícia, e Cristhofer ficariam responsáveis pelo planejamento e organização do roubo, além da arrecadação das armas envolvidas na ação.

O boletim mostrou ainda que Cristhofer, na companhia de Lázaro, conheceu seis bolivianos, incluindo os três pilotos que levariam as aeronaves ao destino após o roubo.

Segundo informações da diretora do Dracco, um dos envolvidos relatou que foi apenas uma vez ao aeródromo da cidade.

“Um deles ficou encarregado de levar um dos integrantes até o aeroporto, para que ele pudesse fazer os levantamentos. Foi uma vez só, segundo ele nos relatou, e recebeu para tanto. O outro ficou encarregado de conseguir algumas armas e receberia para isso, porém, acabou não disponibilizando armas para essa organização criminosa”, acrescentou.

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AERONAVES

Com prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões, foram levados um avião Bonanza Modelo V35B (matrícula PT-ING), pertencente ao irmão do prefeito de Aquidauana, Odilon Ferraz Alves Ribeiro (PSDB), e mais um sócio; e dois Cessna Modelo 182 (matrículas PT-KDI e PT-DST).  

O KDI pertence à esposa do ex-prefeito de Aquidauana José Henrique Trindade, Liliane Paschoaletto, e o modelo DST, ao cantor Almir Sater.

A Polícia Civil de Aquidauana, que também participa das investigações, considera esclarecido que o paradeiro dado às aeronaves foi o exterior, inclusive, com o conhecimento do país de destino, que não foi informado.

No entanto, sabe-se que a Bolívia seria o país mais perto para esse tipo de ação dos criminosos.

“As aeronaves a gente já tem algum dos paradeiros, mas a gente ainda preserva, pois entramos em uma fase bastante burocrática, já que elas foram para fora do País. Então, nesse momento eu preciso dessa reserva para que eu possa cumprir com os protocolos para tentar recuperar essas aeronaves de alguma forma”, disse a delegada do Dracco.

AÇÃO

Para conseguir levar os aviões, os bandidos entraram pela cerca do aeroclube e amarraram três pessoas, sendo o caseiro do local e seus dois filhos menores de idade. Entretanto, ninguém se machucou.

A princípio, o plano era roubar cinco aviões, mas foram levados três, entre eles, a melhor aeronave. Os aviões chegaram a ser abastecidos com cerca de 400 litros de combustível para a decolagem.

As vítimas foram levadas até o hangar em que estavam as aeronaves e mantidas presas à grade de proteção do tanque de combustível. Em uma delas foi jogado gasolina.

De acordo com o delegado Jackson Vale, da Polícia Civil de Aquidauana, dois reféns conseguiram se soltar e acionaram a polícia.

Após o acontecimento, em menos de 12 horas, o Dracco e a Polícia Civil conseguiram identificar três pessoas, uma delas um perigoso foragido do sistema penitenciário estadual e considerado o chefão da organização criminosa especializada.

Além disso, a esposa do cabeça do grupo criminoso e o responsável pelo imóvel que serviu de base operacional para os criminosos, identificados como brasileiros e bolivianos, também participaram do roubo. Ambos foram devidamente identificados, mas não foram encontrados ainda.

De acordo com a delegada Ana Cláudia Medina, o chefe da quadrilha já tem passagens anteriores por crimes semelhantes.

Segurança

Em julho de 2018, ocorreu um crime semelhante em Aquidauana, quando bandidos planejavam roubar um avião de uma fazenda. No entanto, antes de acontecer o roubo, o Batalhão de Choque recebeu a denúncia e foi ao local. Os bandidos morreram em uma troca de tiros.

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