Há 82 dias, 510 homens, 88 viaturas e seis aeronaves estão no Pantanal para realizar uma das maiores forças-tarefas de combate e prevenção aos incêndios florestais do local.
Neste ano, além dos incêndios que acontecem todos os anos em Corumbá, o município vive uma crise hídrica.
A régua de medição no 6º Comando do Distrito Naval de Ladário chegou na última segunda-feira (20) a nível negativo em 0,18 metro, o que representa 2,20 metros abaixo do nível da régua,
Dados do Centro de Hidrografia e Navegação do Oeste da Marinha do Brasil apontam que, em 20 de setembro de 2020, o nível do Rio Paraguai estava em 0,19 metro. O nível negativo só foi registrado a partir de 1º de outubro.
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A atual marca identificada na régua no mesmo dia deste ano é de -0,18 m – marca que ocorreu no ano passado em 9 de outubro. Em 2019, o mesmo dado aponta que níveis abaixo de 1 m na régua foram percebidos em 18 de novembro.
Atualmente, Corumbá concentra a maioria dos incêndios em razão de sua extensão territorial (64 mil km²), sendo o 11º maior município do Brasil.
Mesmo assim, devido às operações, os focos de calor, de janeiro a setembro, são menores em comparação ao mesmo período do ano passado (-42,64%) e de 2019 (-30,89%). Neste ano foram registrados 3.150 focos.
Em relação à área queimada, a extensão destruída até o momento também é inferior a 2019 (-0,60%) e 2020 (16,69%). Neste ano, foram destruídos 778 mil hectares.
De acordo com o coronel Hugo Djan Leite, comandante-geral do Corpo de Bombeiros, a crise hídrica é um dos maiores problemas neste ano.
“Estamos combatendo os incêndios florestais com muito recurso operacional, contudo a situação é crítica por vários fatores: seca prolongada e intensa, crise hídrica severa e uma geada no meio do ano, que secou ainda mais a vegetação. Mesmo nestas condições extremas, estamos controlando os incêndios, os quais são em número menor do que nos dois últimos anos”, relatou.
A propagação tem se intensificado nos últimos dias, como no Jatobazinho, norte de Corumbá, e na sub-região do Nabileque (sul de Corumbá).
A operação do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), conta com o apoio da Marinha, Exército, Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Defesa Civil, polícias civil e ambiental.
Seca
O Pantanal vive uma das piores secas de sua história, com uma média de chuva 40% menor do que no mesmo período dos anos anteriores.
Especialistas apontam que a estiagem e a geada dos últimos meses têm sido elementos determinantes para o aumento de incêndios florestais e urbanos e podem fazer com que a devastação causada pelo fogo demore muito para ser completamente recuperada no local.
Sem previsão se chuvas significativas pelo menos até outubro, a situação é preocupante e tende a piorar nos próximos meses.
Cerca de 4,6 bilhões de animais foram afetados e pelo menos 10 milhões morreram.