A pandemia do novo coronavírus deixou, ao menos, 121 crianças de até seis anos de idade, órfãs de um dos pais, em Mato Grosso do Sul. Deste total, 40 são de Campo Grande. O número abrange o período entre 16 de março de 2020 e 24 de setembro deste ano.
Os dados são da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de Mato Grosso do Sul (Arpen-MS).
Conforme a Associação, os dados foram levantados com base no cruzamento entre os CPFs dos pais nos registros de nascimentos e de óbitos feitos nos 92 Cartórios de Registro Civil do Estado.
“Em parceria com a Receita Federal, os cartórios de Registro Civis do Mato Grosso do Sul conseguiram chegar ao número de órfãos, por meio da emissão do CPF na certidão de nascimento dos recém-nascidos. Esses dados que levantamos ao longo da pandemia da Covid-19 têm auxiliado nas pesquisas sobre a dimensão do vírus no Estado e no País inteiro”, explicou o presidente da Arpen-MS, Marcus Roza.
Segundo levantamento feito pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, desde o início da pandemia em 2020, 41 famílias procuraram ajuda para regularizar a guarda de crianças órfãs em MS.
"Esses 41 casos de regularização de guarda se referem ao coronavírus como a causa da morte do guardião da criança. Contudo, o número pode ser muito maior. São 41 famílias, às vezes tem mais de uma criança cada”, ressaltou o coordenador do Núcleo da Família (Nufam), defensor público Daniel Provenzano.
BRASIL
No Brasil, no mesmo período, ao menos 12.211 crianças de até seis anos de idade ficaram órfãs de pais que morreram de Covid-19.
Deste total, 25,6% das crianças não tinham completado um ano; 18,2% tinham um ano de idade; 18,2% dois anos de idade; 14,5% três anos; 11,4% quatro anos; 7,8% tinham cinco anos e 2,5% seis anos.
São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Ceará e Paraná foram os estados que mais registraram óbitos de pais com filhos nesta faixa etária.