Campo Grande tem registrado um aumento da criminalidade durante a pandemia da Covid-19 até hoje. Esse crescimento é demonstrado pelos dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em que, neste ano, antes mesmo do fim do mês, já houve mais casos de homicídios dolosos do que no ano passado, quando o dado foi contabilizado apenas no fim de junho.
Até ontem ocorreram 54 crimes deste tipo na Capital, enquanto no ano passado, de janeiro a junho, foram 52 casos. No ano anterior, o patamar também se manteve, foram 57 assassinatos. Este é o maior patamar desde 2016 na Capital.
Isso porque, em 2019, antes da pandemia da Covid-19, o primeiro semestre do ano terminou com apenas 31 registros de homicídios dolosos. No ano anterior, foram 46 e 49 em 2017.
Entretanto, em 2016 ocorreram 74 crimes desse tipo na Capital, o maior número dos últimos 10 anos, segundo dados da Sejusp. Já que em 2015 foram 56,68 no ano anterior e 63 em 2013.
CRIMES
Os casos mais recentes da cidade ocorreram em bairros próximos da região do Anhanduizinho. No dia 27 de maio, dois homens foram mortos por uma terceira pessoa armada.
Luiz Alberto da Conceição, dono de um lava a jato localizado na Avenida das Bandeiras, foi executado a tiros. Durante o crime, uma bala perdida atingiu e matou o eletricista Adriano Medeiros Pereira, que seguia para o trabalho em uma moto.
Um vídeo de monitoramento da região mostra que um homem armado chegou até o lava a jato e efetuou disparos contra Luiz Alberto. A vítima tentou fugir, correndo para a rua, mas foi perseguido pelo criminoso, que continuou atirando pelas costas do empreendedor.
O homem foi atingido por dois tiros nas costas e caiu na rua. O assassino se aproximou e disparou outras vezes na cabeça da vítima, na frente de funcionários e pessoas que passavam pelo local.
Um dos tiros disparados durante a perseguição atingiu o motociclista Adriano Medeiros Pereira, 33 anos, no coração. Ele também morreu na hora.
Dez dias depois desse crime, outra execução foi registrada na Capital. Rafael Costa Soares Silveira, de 21 anos, foi morto com três tiros, um nas costas, um no braço direito e outro nas nádegas. O crime ocorreu na Rua Sol Nascente, no bairro Jóckey Club.
De acordo com registro policial, testemunhas ouviram disparos e depois uma moto saindo em seguida do local do crime, que foi registrado na Delegacia de Pronto de Atendimento Comunitário (Depac) Cepol. Ainda conforme a polícia, no local não havia vestígios e no momento do fato havia grande aglomeração de pessoas próximas ao crime.
Este assassinato foi registrado às 5h45min e o rapaz morreu por volta das 7h, na Santa Casa. Cerca de 17 horas depois, outro assassinato, outro crime semelhante foi registrado na região.
Pedro Henrique Ferreira da Silva, de 20 anos, foi executado a tiros. Dois homens em uma motocicleta encontraram o rapaz, o passageiro efetuou os disparos com duas pistolas. No local, foram encontrados dois estojos de arma calibre 380 e dois projéteis. O crime foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.
Por causa de todos esses crimes, os moradores da região dizem se sentir abandonados pelo poder público. “Eu sinto que fomos abandonados pelo poder público. Aqui no bairro, está tendo furto e nos sentimos inseguros, o problema é os usuários de drogas, por causa deles muitos moradores estão se mudando do bairro, botando a casa para alugar ou vender”, afirmou um comerciante que não quis se identificar.
“O problema aqui são os usuários de drogas e o tráfico que corre solto por aqui, desde que fecharam a rodoviária, eles incomodam diariamente os moradores do bairro, eles fazem barulho e gritam à noite”, disse outro morador, que também preferiu não se identificar.
“As mortes que estão acontecendo no bairro não tem nada a ver com os moradores, são acerto de contas entre os próprios usuários de droga, o problema mesmo que nos atinge é a permanência deles na região”, completou.