Na Capital, mais de 150 mil vagas de tratamento odontológico especializado deixaram de ser realizadas durante a pandemia, apenas no período noturno e aos finais de semana, quando o trabalhador tem tempo para cuidar da saúde bucal.
Por isso, o presidente da Câmara de Campo Grande, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão PSB, informou que vai oficiar o secretário de Saúde, José Mauro Pinto de Castro Filho, para solucionar os problemas com urgência e melhorar o atendimento odontológico oferecido pela rede na Capital.
O presidente do Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul, David Chadid Warpechowski, relatou que não só a população enfrenta dificuldades para conseguir atendimento. Os dentistas não conseguem, muitas vezes, oferecer tratamento de qualidade na rede municipal de saúde e sofrem com a logística do sistema de esterilização de materiais.
David Chadid afirmou que os trabalhadores não têm acesso a saúde bucal, já que não podem passar por atendimento no horário comercial dispostos pelos postos.
“Temos uma demanda enorme que já gerou 150 mil vagas perdidas. Isso dá mais de 12 mil horas/mês de atendimento clínico perdido, não oferecido à população", disse o presidente do Sindicato.
"Precisamos da volta dos atendimentos noturnos e aos finais de semana na rede pública de saúde do município. Esse atendimento é fundamental para a classe trabalhadora, como era antes da pandemia. A odontologia está pedindo socorro e a população precisa voltar a comer e sorrir decentemente”, comentou Chadid.
O presidente da Câmara relatou que o presidente do Sindicato informou à ele a existência de apenas três aparelhos autoclaves para esterilizar os equipamentos.
Carlão comentou que recebeu essa denúncia na sessão comunitária realizada no Bairro Coophavila II, além da falta de estrutura nos postos de saúde onde os dentistas estão atendendo.
"Situação que dificulta e muito a atuação dos dentistas que atendem no município. Uma dor de dente, um problema dentário, pode prejudicar grandemente a vida das pessoas, inclusive evoluindo para uma infecção generalizada levando até a morte", justificou Carlão.
Em nota enviada ao Correio do Estado, o Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso do Sul (CRO-MS) destacou que já "realizou vistorias as unidades públicas e apresentou relatórios à prefeitura de Campo Grande sobre as demandas no setor da odontologia e mantém diálogo constante com os gestores para solucionar às necessidades".
"O Conselho já levou à prefeitura seu posicionamento contrário a uma central de esterilização de instrumentais, pois gera morosidade nos atendimentos", diz trecho da nota.
"Quanto as demandas reprimidas por conta da Covid-19, assim como em outras áreas de saúde, os atendimentos durante as ondas da pandemia, foram restritas aos casos de urgência e emergência. O CRO-MS entende a dificuldade, mas espera que a prefeitura possa solucionar a demanda o quanto antes", finaliza a nota do CRO.
Por telefone, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande informou que os atendimentos de urgência e emergência continuaram sendo realizados durante o período crítico de pandemia normalmente.
Segundo a assessoria foram suspensos os atendimentos eletivos no fins de semana, e atendimentos ambulatoriais. As policlínicas continuaram atendendo com encaminhamento odontológico. Contudo, em pandemia toda a rede de saúde de Campo Grande foi afetada, não só o setor dentário.
A Prefeitura de Campo Grande também informou que estão sendo chamados novos odontólogos aprovados em concurso vigente de 2019 para preencher o quadro clínico.