O Pantanal, bioma conhecido por seus ciclos naturais de cheia e seca, tem uma relação histórica com o fogo. No entanto, as mudanças climáticas têm intensificado os incêndios florestais na regiãohttps://correiodoestado.com.br/cidades/incendios-florestais-devastam-16-milhao-de-hectares-do-pantanal-de-ms/438150/, tornando necessário o estudo e a implementação de técnicas de manejo integrado para prevenir grandes incêndios.
Com 84% da vegetação nativa preservada, o Pantanal sul-mato-grossense é considerado o bioma mais preservado do mundo. Para manter essa condição, o Governo do Estado, por meio do Imasul e da Fundect, está investindo em uma pesquisa científica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para compreender o comportamento do bioma após os incêndios.
O doutor em biologia e professor da UFMS, Geraldo Damasceno Júnior, lidera um estudo desde 2021 como parte do programa Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (Peld) do Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas (Nefau).
"O Pantanal é forjado no fogo, por isso tem resiliência a ele. No nosso estudo estamos avaliando o que realmente mudou após o fogo. Algumas áreas se recuperam em dois meses", explica Damasceno.
A pesquisa busca identificar a melhor época para realizar o manejo do fogo no Pantanal, considerando as mudanças ocorridas após os intensos incêndios de 2020.
"Muitas coisas mudaram no bioma após o fogo intenso de 2020, e por isso avaliamos a situação no início, meio e fim da estação seca", afirma o pesquisador.
A pesquisa da UFMS também investiga como o fogo e a inundação, ambos característicos do bioma, podem influenciar a longo prazo a estruturação dos ambientes nas áreas inundáveis do Pantanal.
O estudo inclui o desenvolvimento de ações educativas e de queima prescrita para reduzir a probabilidade de incêndios florestais.
"Estamos verificando qual que é o efeito que o fogo tem nas diversas paisagens. Trabalhamos nas áreas de campos inundáveis, que são as principais áreas de uso como pasto. Estamos vendo o efeito disso na flora, fauna – répteis, aves, pequenos invertebrados", conclui Damasceno.
Combate
O CBMMS mantém bases avançadas em áreas remotas e realiza trabalhos educativos nas comunidades locais.
A preparação leva em conta as condições climáticas do bioma, que tem enfrentado chuvas abaixo da média histórica. Dados do Cemtec apontam um déficit significativo de chuvas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025.
"O ano de 2024 foi o mais crítico quando comparado a este ano de 2025. Porém, as chuvas estão bem irregulares. E a previsão indica que para os próximos meses as chuvas tendem a ficar abaixo da média histórica", explica a meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes.