Cidades

em investigação

Médico que encontrou esposa morta realizou primeiro transplante de coração de MS

João Jazbik Neto nega existência de crime, mas polícia diz que perícia contraria versão do médico e abriu inquérito complementar para apurar o caso

O médico cardiologista João Jazbik Neto, que encontrou a esposa morta em uma chácara de Campo Grande, fez parte da médica responsável pelo primeiro transplante de coração realizado em Campo Grande, em 1994, na Santa Casa. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar se o caso se trata de suícidio ou feminicídio e o médico é tratado como suspeito.

A primeira cirurgia de transplante de coração em Mato Grosso do Sul aconteceu no dia 23 de setembro de 1994 e Jazbik Neto fez parte da equipe médica responsável pela cirurgia. O paciente foi um jovem de 27 anos que apresentava miocardiopatia. 

Os transplantes de coração na Santa Casa foram suspensos em 2005 e retomados em fevereiro de 2013. Jazbik Neto também estava na equipe médica na retomada de transplantes no hospital, em cirurgia realizada em um homem de 50 anos.

O médico está preso e aguarda audiência de custódia, que será realizada nesta quarta-feira (19). Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual.

O caso

A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta a tiro nessa segunda-feira (18), em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Jazbik Neto acionou a Polícia Civil e informou que já a encontrou em óbito. No entanto, de acordo com o delegado da Deam, Leandro Santiago, em entrevistas prévias, o médico e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas.

Além disso, perícia preliminar constatou que a lesão que a vítima tinha na cabeça não condizia com a versão apresentada pelo médico.

"A equipe realizou diversas diligências na propriedade e constatou que o suspeito, companheiro da vítima, determinou que o caseiro e um ex-funcionário seu deslocassem um armário com diversas armas de fogo e munições para um casebre dentro da propriedade, o que consistiu em crime de fraude processual, motivo pelo qual os três foram autuados em flagrantes por esse crime", explicou o delegado.

"Agora iremos instaurar um inquérito complemenaar em autos apartados para apurar, sob uma perspectiva de gênero, as circunstâncias do óbito da vítima Fabíola, se se trata de um suicídio ou de uma feminicídio", concluiu Santiago.

O advogado José Belga, que representa Jazbik Neto, informou, por meio de nota, que o médico "foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, em meio a uma grande tragédia pessoal e familiar".

"Apesar do luto e do sofrimento de que padece neste momento, o Dr. João Jasbik se colocou à inteira disposição da autoridade policial, prestando todos os esclarecimentos e concordando com a realização do exame residuográfico, afastando qualquer suspeita da hipótese de feminicídio, inicialmente considerada pela investigação", diz a nota.

No entanto, em declaração posterior, o delegado informou que não está descartada a hipótese de feminicídio e que o caso segue sob investigação.

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