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Pulso de inundação no Pantanal tem recuperação parcial, aponta Embrapa

Pantaneiros estão otimistas com a distribuição dessas águas e estimam que os riscos de incêndios florestais serão menores

Silvio Andrade

20/05/2026 - 15h30

O movimento das águas no Pantanal nos últimos meses, com um reforço de chuvas na chegada do inverno, não indica uma cheia mais intensa, porém, está havendo uma recuperação parcial na dinâmica hidrológica da Bacia do Alto Paraguai, segundo levantamentos da Embrapa Pantanal, com sede em Corumbá.

Os pantaneiros estão otimistas com a distribuição dessas águas e estimam que os riscos de incêndios florestais serão menores, como no ano passado.

O nível do Rio Paraguai em Ladário – onde fica a principal régua de monitoramento da planície – não deve atingir a marca de 2025 (3,31m, em julho). Segue em elevação lenta e registrou 2,23m nesta quarta-feira (na mesma data, no ano passado, marcou 2,70m).

Segundo o último boletim do Serviço Geológico do Brasil, que também monitora a bacia, da nascente (Barra dos Bugres, MT) a Porto Murtinho o nível do rio está dentro da normalidade, mas abaixo da média.

Embora o volume de chuvas tenha revertido o déficit acumulado desde 2019, “a distribuição temporal entre outubro de 2025 e março de 2026 foi cerca de 10% a 12% inferior à média histórica para toda a bacia”, aponta a Embrapa Pantanal.

As águas chegaram aos campos,com maior intensidade em algumas regiões (como no Abobral, na Nhecolândia, em Corumbá), sem causar alagamentos prolongados, ressurgindo, contudo, os corixos (pequenos cursos).

Favorece a pecuária

Segundo o pesquisador Carlos Padovani, da Embrapa Pantanal, a análise das chuvas de toda a bacia, baseada em dados estimados por sensores em satélites, mostra forte irregularidade intra-sazonal, com destaque para janeiro de 2026.

“Este mês apresentou nível expressivo de pouca chuva, contrastando com fevereiro, quando houve recuperação pontual”, avaliou. A distribuição da chuva – aponta - não sustentou um pulso de inundação contínuo e espacial.

O comportamento das águas não deverá prejudicar a navegação (cargas e o turismo), sendo a pecuária bovina praticada nas áreas próximas ao Rio Paraguai a atividade socioeconômica mais beneficiada.

"Nessas áreas, os solos mais férteis e a boa disponibilidade de água favorecem o desenvolvimento das pastagens nativas, principal fonte de alimento dos animais. Por outro lado, uma cheia pequena é desfavorável à produção pesqueira”, cita o pesquisador.

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