Clique aqui e veja as últimas notícias!

EDUCAÇÃO

A decisão dos congressistas sobre o Fundeb foi realmente a mais acertada?

Verbas injetadas no fundo terão aumentos progressivos e continuarão a ser repassados ao poder público
21/12/2020 06:00 - Ricardo Campos Jr

Senadores resgataram durante a última semana o projeto original de lei que regulamenta a distribuição de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). 

Caíram as mudanças feitas pelos deputados federais caíram, como a possibilidade de que os recursos fossem utilizados por estabelecimentos da rede privada, como os vinculados ao Sistema S, as escolas confessionais, comunitárias e filantrópicas. Diante disso, o texto volta novamente à Câmara. O presidente da Casa, Rodrigo Maia, adiantou que deve coloca-lo em pauta nesta semana para garantir o uso das verbas já em 2021 com os reajustes.

Houve quem defendesse, no decorrer do processo, que o dinheiro extra que deverá entrar no Fundeb fosse entregue diretamente às famílias carentes sob condição de ser usado para matricular as crianças na rede particular.

Para a doutora em educação Ângela Maria Costa, é um alívio que os senadores tenham deixado o projeto como estava, já que, segundo ela, não se faz educação pública de qualidade sem investir nas escolas públicas.

“O Brasil é um país desigual. Estamos vivendo em castas. Pobre continua pobre e não tem oportunidade. É o que nós vivemos nessa realidade brasileira. Então o fortalecimento da escola pública é a primeira providência que tem que ser tomada. Escola filantrópica vive numa boa. Sistema S, isso é um absurdo. Fortalecimento da escola pública em primeiro lugar”, pontua.

Segundo ela, o ensino gratuito está sucateado. Ela cita dados que foram apresentados em plenário pelo presidente da Comissão de Educação (CE), senador Dário Berger (MDB-SC), que fazem parte de várias pesquisas feitas junto aos estabelecimentos de ensino. Conforme o levantamento, 26% das escolas públicas ainda não têm fornecimento de água tratada,  5% não têm ligação de energia elétrica,  60% não têm ligação de esgoto com a rede pública, 70% não têm bibliotecas e 33% não têm internet.

“Não tem biblioteca, não tem laboratório, não tem quadra de esporte, não tem playground. É uma vergonha”, afirmou a doutora em educação.

Agora o desafio é esperar que os deputados federais mantenham o texto nos moldes que os senadores deixaram. Para Ângela, retomar a possibilidade de usar o dinheiro na rede privada pode ser muitíssimo nocivo para o país.

Ainda não acabou... Faça login ou cadastre-se para continuar lendo essa notícia gratuitamente

Receba acesso também a outras notícias exclusivas. É rapidinho e não pediremos seu cartão de crédito :)

Quero Me Cadastrar

Já tem cadastro? Faça login clicando aqui